No ano em que completava um século de existência, o Clube do Remo iniciava mais uma jornada de maneira cabisbaixa, por causa do rebaixamento para a Série C no ano anterior. Mas as lições da derrota acabaram por fortalecer aquele grupo, que graças ao esforço e garra mostrados em campo, conseguiu transformar a dor em alegria e a queda em glória, com a conquista do inédito título brasileiro de 2005.
A missão de levantar a autoestima do clube coube à Roberval Davino, que vinha de passagem pelo futebol paulista, sem muito sucesso. Com ele, o Leão Azul montou um time que não impressionava exatamente pela qualidade técnica, mas sim pela raça, marca registrada da conquista. Em 18 jogos, o Remo conseguiu 10 vitórias, quatro empates e quatro derrotas. Foram 31 gols marcados contra 19 contra.
A campanha positiva foi embalada graças à média espetacular de público nos jogos em Belém. A cada partida, cerca de 30 mil pessoas se espremiam nas arquibancadas do Mangueirão para ver de perto a façanha que se desenhava. O teste de fogo, sem dúvida, foi a partida contra o Tocantinópolis, na fase eliminatória, quando os azulinos venceram por 4 a 1 depois de ter perdido na ida por 2 a 0.
“Algumas coisas me levaram a crer que o Remo seria campeão da Série C. A principal delas, talvez, fosse a vitória contra o Tocantinópolis. Precisávamos vencer por três gols de diferença, e quase em 40 minutos do segundo tempo, vencíamos por apenas 2 a 1. O gol do Osny deixou a torcida extasiada e com a certeza de que o troféu seria nosso”, revela Raphael Levy, presidente remista na época do título inédito.
O time base da época contava com atletas desconhecidos e alguns candidatos a ídolo, caso do atacante Landu. Outros foram marcados pela superação, vide o lateral Marquinho Belém, que venceu um problema cardíaco e, assim como a torcida, sentiu o coração vibrar sem medo ao erguer a taça de campeão brasileiro.
(Diário do Pará)
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