Em disputas diretas durante campanhas eleitorais, personagens que atuaram de forma conjunta surgem com acusações aos antigos parceiros, às vezes de pouquíssimo tempo atrás. Os dois personagens centrais na eleição atual do Remo aparecem num desses dissídios.
Há cerca de 3 meses, o presidente Zeca Pirão convidou Pedro Minowa para assumir as divisões de base do clube. Minowa assumiu e o time conquistou alguns resultados bons a partir de então. Há cerca de uma semana, no entanto, Pirão anuncia que “demitiu” Minowa do seu posto como diretor da base e o acusa de ter “sumido” e de não dar as caras no clube “há mais de dois meses”. Se sentindo injustiçado, o candidato de oposição à presidência azulina desabafa - “Ninguém me demitiu da base azulina”.
Minowa afirma ter se afastado do seu cargo como diretor da base de forma espontânea, para se dedicar à candidatura e eleição, há cerca de um mês apenas, da mesma forma que seu vice Henrique Custódio. “Nos foi sugerido produzir uma carta com pedido de desvinculação e afastamento, mas consideramos que não seria adequado. Somos todos azulinos. Não vamos deixar de ajudar o clube se ele precisar, nem agora nem depois das eleições, e um documento assim poderia dar a entender que rompemos com o clube. Apenas nos afastamos para nos dedicar à campanha”, afirma Minowa.
Pedro afirma que encontrou uma situação muito difícil quando assumiu a base por conta do pedido de demissão dos 4 diretores anteriores. “Para atender a base com a devida qualidade eu precisava de todos eles, então meu primeiro trabalho foi reunir, conversar, e manter todos ligados à base”, lembra.
Um dos grandes problemas que o time enfrentava estava na parte financeira. Entre contratações, gasto com concentração, alimentação, premiação e materiais, Minowa afirma ter colocado cerca de 39 mil reais do próprio bolso para viabilizar a participação do time na Copa Norte Sub-20. Minowa diz que é injustiçado não apenas pela falta de reconhecimento do seu trabalho, mas também pelas dificuldades que encontrou. “Apesar do bi da Copa Norte, parte do elenco, por salários atrasados, se recusou a disputar a Copa do Brasil”, reclama.
Apesar dos empecilhos, Minowa acredita que pôde fazer um bom trabalho. “Ganhamos tudo que disputamos. Conseguimos reduzir as dívidas na base. De 100 mil, quando eu cheguei, o clube ainda devia cerca de 19 mil ao final. Algumas situações não tivemos como contornar. O técnico Walter Lima hoje acusa que tem quatro meses atrasados para receber. O que eu posso afirmar é que nos dois meses que eu estive à frente ele recebeu em dia”, relembra o dirigente, que espera, em um possível mandato, colocar em definitivo as divisões de base como prioridade do clube.
(Diário do Pará)
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