Se a rivalidade entre as torcidas ajudou a sedimentar a paixão pelo esporte, as disputas e rivalidade entre seleções estaduais ajudaram no intercâmbio de jogadores e fomento da rivalidade no futebol de estados vizinhos, algumas que se mantém até hoje.
No ano de 2015, completam-se 100 anos da primeira convocação de um selecionado paraense. Conheça agora um pouco mais da história desse time que marcou a época do futebol antes do surgimento dos campeonatos brasileiros.
Como o próprio nome sugere, a seleção paraense era um combinado de atletas de vários times do futebol local que se reunia ora para disputa de amistosos, ora para a disputa do Campeonato Brasileiro de Seleções, primeiro torneio a integrar equipes de todo país. Os primeiros passos do combinado paraense, no entanto, não foram tão gloriosos assim. Em 28 de fevereiro de 1915, em seu primeiro jogo oficial, a equipe sofreu uma sonora derrota por 7 a 1 para o Paysandu. Em 1920 foi a vez do Remo sapecar 7 a 0 na seleção do Estado. Historicamente, jogando contra times da terra, a seleção não levava muita sorte.
Os primeiros amistosos contra seleções vizinhas, no entanto, ajudaram a sedimentar a rivalidade local. Em 21/05/1918 o Pará disputou seu primeiro amistoso contra a seleção do Amazonas e venceu por 2 a 0. Ao longo dos seus 141 jogos registrados, poucos times enfrentaram tantas vezes a seleção Paraense – ao todo foram 31 jogos com ampla vantagem paraense. Outros grandes rivais foram os vizinhos do Maranhão, Ceará e eventualmente Pernambuco, times que a seleção paraense costumava enfrentar nas fases seguintes da Taça Brasil de Seleções.
Mas o clássico contra o Amazonas foi não apenas o primeiro, mas também o último que a Seleção Papa Xibé disputou, na última edição da Taça Brasil de Seleções, em 1987. Com uma vitória por 1 a 0 para cada time, nos jogos de ida e volta, a eliminação veio através de um sorteio de cara ou coroa. O último suspiro da Seleção Paraense seria, no entanto, três anos depois. Em 1990, no Mangueirão, a Seleção Paraense empatou pro 1 a 1 contra a Seleção da Bulgária, com a base do time que quatro anos depois conquistaria o terceiro lugar na Copa do Mundo dos Estados Unidos. De um lado Stoitchkov, Ballakhov, Rebrov e Patchev. Do outro, Belterra, Mazinho, Edil e Ageu. É. Até que foi uma despedida digna.
(Diário do Pará)
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