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ESPORTE PARÁ

Atletas denunciam ausência de Bolsa Talento

Visando incentivar a prática do esporte nos atletas, com melhores índices e promoção nacional e internacional, o Governo do Estado desenvolve, desde 2000, um programa de financiamento chamado Bolsa Atleta que deveria ajudar os atletas a custear a prática

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Visando incentivar a prática do esporte nos atletas, com melhores índices e promoção nacional e internacional, o Governo do Estado desenvolve, desde 2000, um programa de financiamento chamado Bolsa Atleta que deveria ajudar os atletas a custear a prática do esporte ou participação em competições. Deveria, porque em 2014 as coisas tem sido muito diferentes.

“De janeiro para cá, minhas filhas receberam apenas dois meses da bolsa, referentes a Julho e Agosto, e o pagamento só saiu em outubro! Já estou cansando de telefonar pra Seel e perguntar qual a previsão de regularização dos pagamentos, porque a essa altura ao me reconhecer eles apenas respondem ‘sem previsão’ e praticamente desligam na minha cara!”, desabafa Mary Rose Gama de Almada, mãe de Natália e Natasha Pereira, 24 anos, atletas de nado sincronizado.

Acompanhando as filhas desde o início da prática do esporte, quando tinham apenas 13 anos, Mary diz que a situação com as bolsas sempre teve altos e baixos, mas que nesse último ano as coisas fugiram de qualquer limite. “O ciclo de renovação da bolsa exige a apresentação de determinados resultados para seguir sendo contemplado, e as minhas filhas conseguiram os resultados. Só que em Janeiro, quando deveria haver a avaliação, a SEEL determinou que haveria uma seleção mais criteriosa dos atletas e que por isso o processo de escolha seria mais demorado. Foram 120 dias de espera! Os nomes só apareceram no diário oficial no final de Junho”, relembra.

Além das perdas de praticamente um semestre inteiro, a mãe teve de encarar a dura resposta da secretaria, em reunião com atletas e representantes, que os meses não contemplados naquele ano não seriam ressarcidos. “Já enfrentávamos um prejuízo enorme por conta disso, porque não paramos de treinar e competir e tudo isso tem um custo... mas esperávamos que pelo menos no restante do ciclo, que agora passaria a ser de Julho de um ano a Julho do outro, houvesse o pagamento regular para nos programarmos, mas só recebemos esses dois meses. E apenas em Outubro!”, lamenta a mãe.

Ao todo o programa contempla um universo de 180 pessoas entre atletas, paradesportistas e treinadores, e o valor da bolsa é de módicos 1018 reais. “Basicamente estão todos com esse problema, mas ninguém abre a boca pra reclamar por medo de represálias, todo mundo depende disso. Mas, sinceramente, eu cansei. Não temo represália nenhuma e penso seriamente em criar uma associação para que cada atleta que passe por essa dificuldade não precise brigar, sozinho e isolado, pelos seus direitos”, comenta Mary.

(Diário do Pará)

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