Com apenas 37 anos de idade e poucos clubes no currículo de treinador, o mineiro de Ituiutaba, Sidney Moraes de Almeida Júnior, é a principal aposta da diretoria do Paysandu na montagem do elenco que defenderá o clube na temporada. O técnico, o primeiro dos novos contratados a se apresentar na Curuzu, desembarcou em Belém sob a desconfiança do torcedor bicolor, que esperava, com o acesso do time à Série B do Brasileiro, um nome de maior prestígio no cenário nacional para comandar o Papão. Mas, se não conta com tanta experiência na carreira, Sidney carrega uma bagagem inquestionável do tempo em que atuava dentro das quatro linhas, como meia de ligação.
Cria do São Paulo, o ex-apoiador chegou ao Morumbi aos 12 anos, permanecendo no Tricolor até 2000, transferindo-se depois para o Sport-PE, Fluminense-RJ, Guarani-SP e clubes de Portugal e Emirados Árabes. Ao longo deste tempo, ele conviveu com técnicos “na maioria consagrados”, como diz, com os quais pôde aprender muito do futebol. Ensinamentos que hoje ele tenta repassar aos jogadores que comanda.
Como ocorreu a sua vinda para o Paysandu?
Há algum tempo, existia o interesse o interesse do Paysandu em me trazer e o meu de vir trabalhar aqui. Ocorreram algumas tentativas, mas só agora deu tudo certo. Isso tinha de ocorrer mais cedo ou mais tarde. O nível de confiança dos dois lados está muito positivo. Acho que o caminho é esse mesmo. Estamos somando juntos em todos os sentidos. Sei da responsabilidade que tenho, mas estou convicto do que preciso fazer. Acredito que o trabalho será bem feito.
O senhor encara a vinda para o Paysandu como o maior desafio de sua carreira?
É um desafio muito grande, talvez seja um dos maiores que eu já tive em minha carreira até aqui, porém, sinto-me preparado para encarar esse desafio e tornar todos os nossos planos aqui no Paysandu possíveis.
O técnico Mazola Júnior, que reconduziu o Papão à Série B e que também é da mesma geração, serve como exemplo?
O Mazola é um profissional sério, competente e que, pelas qualidades que tem, dispensa qualquer comentário. O modelo de treino e gestão tática que ele costuma passar aos jogadores que comanda devem ser copiados, da mesma maneira que todos os bons exemplos. Todos os exemplos positivos, que servem para enriquecer e valorizar o trabalho, devem servir de inspiração, com toda a certeza.
A montagem do elenco está saindo dentro do que foi planejado por você e pela diretoria?
A gente está procurando errar o menos possível. É claro que não dá para acertar em todos os jogadores. Fica sempre uma surpresa, que depende de vários fatores, a torcida, o clima e a própria condição do atleta. A gente sabe que isso acontece. Algumas vezes a gente traz um jogador, que já tem certa referência e ele chega e acaba não dando certo. Por isso estamos tendo toda a cautela possível nessa questão de contratação. O (Sérgio) Papelin, o Roger (Aguilera) e o presidente (Alberto) Maia são pessoas experientes e sabem, como eu, das necessidades que temos. Acho que o caminho é esse. Fazendo as coisas em conjunto as probabilidades de erros, com certeza, são bem menores. Estamos juntos, sem pensar em a, b ou c. A instituição Paysandu é o mais importante. E assim que estamos iniciando esse trabalho, com um pouco de dificuldade, mas com o pensamento positivo.
Conte pra gente um pouco de sua trajetória como jogador especificamente?
Foram 20 anos como jogador profissional. Joguei no São Paulo desde os 12 anos. Profissionalmente fiquei lá até 2000. Depois passei pelo Sport-PE, voltei para o São Paulo e, em seguida, joguei pelo Fluminense-RJ. Também tive uma experiência internacional, jogando por três anos em Portugal e nos Emirados Árabes. Também passei pelo Santo André-SP. Durante esse tempo tive bons técnicos, a maioria deles já consagrados. Alguns ficaram meus amigos, como o Muricy (Ramalho) e o Dario Pereyra, que é meu amigo e passou aqui pelo Paysandu. Então, a gente tem um bom relacionamento, conhece bastante gente e procura interagir com esse pessoal, buscando coisas novas. Apesar da juventude, tenho certa experiência como jogador e como treinador procuro colocar em prática o que aprendi como jogador e os ensinamentos que adquiri nesse tempo de profissão.
O que mais pesa sempre que o senhor começa a montar um elenco, como agora?
Eu procuro buscar jogador que queira evoluir junto com o clube, não tolero jogador preguiçoso, sem vontade e que não se preserva fora do gramado. Quero contar com atletas que possam me ajudar e, ao mesmo tempo, se ajudar, não basta apenas o técnico montar o esquema de jogo a ser executado pela equipe, organizar o grupo se o jogador não for preparado para isso.
Você se considera um treinador disciplinador?
Acho que a organização é o primeiro passo com relação a tudo para se conseguir os objetivos na vida, até o pessoal. Na sua casa se você não tem organização, você não consegue manter uma boa família, uma boa casa e não consegue dar um passo maior. É claro que a gente tem sempre de ponderar, mas nos clubes por onde passei, graças a Deus, as coisas funcionaram de uma forma boa, com os jogadores entendendo perfeitamente o meu jeito de ser, percebendo a clareza com que eu trato as coisas para que isso aconteça. Acho que a gente precisa partir deste princípio: organização, responsabilidade do atleta, não só do técnico e do presidente, que são sempre os mais cobrados. A integração tem de ser todo tempo. O jogador tem de sentir o peso do clube que defende e honrar a camisa que veste. Ter o jogador se doando em campo é fundamental pra mim. O resultado é uma consequência. O jogador que é trabalhador, que luta, que busca o seu espaço e que é guerreiro, vai ter sempre moral comigo.
Como o senhor costuma se relacionar com as divisões de base nos clubes por onde passa?
Eu pretendo dar valor à base do clube, sempre foi assim nas equipes em que trabalhei. Sei que no Paysandu tem bons valores, que estão na Copa São Paulo e que devem se integrar ao elenco quando voltarem, como é o caso do Leandro Carvalho, mas sei que além dele tem outros que são bons jogadores.
Nesse pouco tempo de Belém já deu para sentir o calor da cidade e também dos torcedores?
Deu sim, já tinha jogado aqui em Belém contra o Paysandu e deu para ver que a torcida é sensacional. Jogar na Curuzu lotada de torcedores é um verdadeiro caldeirão.
Com os jogadores já contratados e aqueles que deverão chegar, o elenco está completo dentro daquilo que você pretende?
Estamos procurando suprir algumas carências que o grupo possui. Ainda temos a necessidade de alguns jogadores, que estão sendo buscados. Conseguindo essas peças que faltam, o grupo estará pronto para encarar as competições que temos neste primeiro semestre.
Com pouco tempo para a preparação do time, já que o Campeonato Paraense está bem próximo, o que fazer para superar essa deficiência?
Temos que trabalhar forte e muito, tanto na parte física como nas atividades com bola, os coletivos, para que o grupo esteja em condições de enfrentar os primeiros jogos. Precisamos ter o entrosamento do grupo o mais rápido possível para que o time possa começar a fluir em campo.
(Diário do Pará)
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