Gledson e George não se desgrudam. Desde a barriga da mãe é assim. Mas neste domingo (29), dia do maior Clássico da Amazônia, os gêmeos univitelinos estarão em lados opostos: Gledson é Paysandu e George torce para o Clube do Remo. O jogo no estádio Olímpico Edgar Proença, o Mangueirão, em Belém, será às 16h.
A rivalidade nunca foi problema. Sempre foi vista por eles como algo saudável. Com mãe remista e pai bicolor, os irmãos gêmeos sempre dividiram o amor pelo futebol dos pais entre os times rivais. “Chegou uma hora que tivemos de escolher. Íamos com o nosso tio para os jogos do Remo, quando crianças. Mas lembro que escolhi torcer pelo Paysandu em 1991, quando o time foi campeão brasileiro”, explicou Gledson.
Irmãos em dia de clássico. (Reprodução/Facebook)
Os irmãos garantem que a rivalidade no futebol não interfere em nada no relacionamento entre eles. “A gente não briga por time, até porque nunca nos separamos e vivemos sempre harmoniosamente", disse George.
Os times de Gledson e George vivem momentos diferentes, um na Série B e outro lutando para ter uma boa classificação no Campeonato Paraense para assim conquistar uma vaga na Série D. Porém, com todas as diferenças, os irmãos acreditam que isso não interfere no resultado do Re – Pa do próximo dia 29.
“Eu já fui para clássicos confiante e acabei saindo triste. Re – Pa é assim mesmo, jogo de detalhes. Apesar de que o nosso momento é propício”, contou Gledson.
“Não vivemos um momento muito bom, principalmente com problemas extra-campo, mas o time azulino está numa crescente. A torcida é muito apaixonada e isso pode ajudar o time. O placar vai ser bem apertado, mas com vitória do Remo”, disse George.
Os irmãos pedem paz nos estádios. “Na realidade, infelizmente, tudo é culpa dos órgãos públicos. Falta fiscalização. Como uma pessoa entra com rojão, bomba ou até maconha no estádio? Se existem leis e outros artifícios de segurança. Devem ser cumpridos. É muito triste você ver uma criança morrendo após ser atingida com um rojão”, lamentou George.
(Cezar Magalhães/DOL)
O torcedor citou o caso do jovem Felipe Matheus, de 11 anos, morto em abril de 2007, após ser atingindo com um rojão reforçado com pequenas petecas de aço, disparado por membros da extinta “Remoçada”, em direção à “Terror Bicolor”. Após sucessivas paradas cardiorrespiratórias, o garoto morreu dois dias depois no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE).
“Que a rivalidade fique só dentro de campo. A intenção é só se divertir’, lembrou Gledson. Que seja assim então dia 29! Que os torcedores possam torcer em paz no primeiro Re – Pa oficial de 2015.
Serviço:
O primeiro clássico começa às 16h, no Mangueirão, válido pelo segundo turno do Campeonato Paraense. Mais dois Re - Pa estão marcados pela terceira rodada da Copa Verde.
(Bruna Dias e Diana Verbicaro/DOL)
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