Qual torcedor não fica feliz em saber que seu ídolo em outras áreas (música, política, cinema) torça pelo seu time também. A identificação, com certeza, fica bem maior.
O cantor e músico paraense Félix Robatto e o DJ Dinho são exemplos de artista que deixam bem claro suas preferências futebolísticas. Ambos são conhecidos na noite paraense, admirados e identificados, por torcedores de Remo e Paysandu. A paixão sempre explícita faz com que sejam facilmente associados aos seus times.
“Eu sou remista desde sempre, quando era criança frequentava mais os jogos, mas agora com a correria profissional não consigo ser tão assíduo. Eu jogava também como ponta esquerda no clube quando era mais novo”, disse o músico.
Robatto já gravou duas vezes o hino do Clube do Remo instrumental com a sua antiga banda. Quando o torcedor vê aquele cara barbudo nos palcos ou pela rua, identifica de cara o músico com o Leão.
Ouça o hino do Clube do Remo tocado pelo La Pupuña:
“Acho super normal as pessoas assumirem o time que torcem, mesmo que elas sejam públicas, é tipo ter sua cor preferida, sua comida, seu gosto musical, isso é normal”, analisou. Mesmo não frequentando mais tanto os jogos, o músico acredita que o Re–Pa ainda é um dos clássicos mais tranquilos do país.
“Re–Pa é um jogo atípico. Um time poder ser líder e ou outro lanterna e perde a partida. O clássico não é só aquele momento, existe uma série de fatores que interferem nele”, acrescentou o cantor.
Diferente de Robatto, Dinho é daqueles torcedores assíduos. Vai para os jogos, viaja, assiste treino e frequenta qualquer evento que traga retorno ao seu time. O pai de 13 filhos, tem uma família gigante de bicolores.
“Sou Paysandu desde que me entendo por gente. Meu avô era bicolor e o meu pai herdou isso dele. Tenho três irmãos e vários sobrinhos, além dos meus filhos, é claro, e todos torcem pelo Papão. Dona Vica, minha mãe, também é Paysandu. Essa família bem grande prova o quando o Papão tem muitos torcedores (risos)”, explicou.
Dinho é daqueles torcedores pé quente. Mesmo com algumas derrotas assistidas, o DJ garante que não abandona o Papão.
“Eu dou muita sorte para o Paysandu. Estive em Macaé-RJ no acesso, em Fortaleza-CE quando eles foram Campeão dos Campeões, assisto vários jogos no interior, Castanhal, Parauapebas, Tucuruí. Só não fui assistir o jogo contra o Tupi-MG porque não tinha mais passagem. As maiores tristezas que tenho é a derrota do Paysandu para o ABC-RN, de 4 a 1, e a final da Copa Verde contra o Brasília-DF, no Distrito Federal”, contou.
A rotina profissional é ajustada com a de torcedor também. Dinho acredita que torcedores como ele colocam sempre o time à frente.
Dinho ao lado dos seus familiares em dia de jogo do Paysandu. (Reprodução/Facebook)
“Eu pretendo acompanhar sempre meu time, incentivar e ajudar no que eu puder. Me tornei sócio bicolor na gestão do Vandick. Essa é apenas mais uma forma de estar perto do Papão”, explicou. No domingo (29), os dois estarão em lados contrários da arquibancada, mas sempre torcendo por um espetáculo bonito dentro e fora de campo .
“Aqui no Pará o Re–Pa serve mais para tirar sarro dos amigos mesmo, não é um jogo de grandes rivalidades, é mais tranquilo. Em outros lugares do Brasil a gente vê tanta violência”, disse Robatto. “Acho que o futebol é uma coisa de paz, união, amor e paixão. Eu acho totalmente desmotivante briga entre torcedores. Não gosto nem que eles se rebelem contra jogadores ou diretoria, existem outras formas de cobrar ou protestar”, analisou Dinho.
Mesmo em momentos diferentes no futebol, os torcedores acreditam na vitória dos seus times. Robatto vê que o problema do Remo é bem mais antigo, de administrações passadas, mas que o Leão tem a sorte de ter uma torcida apaixonada. “Falta muito para o Remo amadurecer ainda. O clube precisar usar os torcedores apaixonados a favor dele e não viver só de arrecadação, de renda de jogos, precisa mostrar as vantagens que os remistas têm em torcer para o Remo. Mas mesmo com tantos erros, acredito que o Leão ira sair campeão, com um placar de 3 a 1”, analisou.
“Venho acompanhando a evolução do meu time, mas às vezes vejo como está o Remo também. Como bom torcedor acredito que o placar será de 2 a 0 para o Papão”, acrescentou Dinho.
(Bruna Dias/DOL)
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