A derrota para o Independente teve desdobramentos, ontem, na Curuzu. Antes de voltarem a treinar, os jogadores se reuniram com o presidente Alberto Maia e alguns dos diretores, entre eles Roger Aguilera, homem forte do futebol.
Na ocasião, os dirigentes teriam dado um ‘puxão de orelha’ nos atletas. Maia teria lembrado o esforço da diretoria para proporcionar à equipe, como ocorreu na viagem do grupo a Tucuruí, feita em avião fretado.
O deslocamento do time até a cidade da energia teria custado algo em torno de R$ 35 mil, valor que, segundo o presidente, foi bancado pela diretoria, sem a conhecida ‘vaquinha’ entre abnegados, tão comum em outras épocas. Antes, a direção bicolor já havia aberto o cofre para bancar diária extra de hotel para que a equipe pudesse pernoitar em Manaus, após o confronto com o Nacional-AM, pela Copa Verde.
Maia, segundo um funcionário do clube, que pôde acompanhar trechos do desabafo do dirigente, se mostrava bastante insatisfeito com o tropeço sofrido pelo time.
Outra situação que o teria desagradado foi a expulsão do meio-campista Carlinhos, que, sem qualquer justificativa, atingiu deslealmente um dos jogadores do Galo. O atleta, de acordo com informações extraoficiais, será punido com multa em seus salários.
O fato de o time estar às vésperas de mais um Re-Pa teria sido ressaltado pelo presidente no encontro com o elenco. A reunião, que teve início às 15 horas, durou cerca de uma hora.
O técnico Dado Cavalcanti também teria sido cobrado pelos dirigentes. O treinador está à frente do time há cinco partidas, com um retrospecto positivo: duas vitórias (Nacional e Castanhal), dois empates (Águia Negra-MS e Nacional) e uma derrota, no último jogo da equipe.
Última derrota deixou lições
A derrota do time - 2 a 0 - diante do Independente, na última quarta-feira (25), deixou pelo menos uma lição ao técnico Dado Cavalcanti e aos jogadores do Paysandu: a de que o time precisa corrigir o quanto antes as falhas de sua defesa, caso não queira ser surpreendido no Re-Pa deste domingo.
A partida é decisiva para que o Papão se mantenha na disputa de uma das duas vagas do Grupo A2 à semifinal do Parazão. Um novo tropeço, dependendo dos outros resultados da rodada, poderá até tirar a equipe da disputa, o que seria, no mínimo, uma tragédia, levando em conta o alto investimento feito pelo clube.
A delegação bicolor retornou, ontem, de Tucuruí, com o treinador ainda lamentando a distração de sua defesa, que em apenas oito minutos sofreu dois gols de cabeça e em lances bem parecidos. “Perdemos nos detalhes. No clássico, o detalhe tem de contar a nosso favor”, disse.
O treinador isentou a chuva que caiu em Tucuruí pela derrota do time. “Não culpo a chuva. Culpo sim a desatenção de nossos jogadores”, apontou.
Dado assegurou que o tropeço, porém, não tem reflexos negativos para o Re-Pa do fim de semana. “Ninguém gosta de perder, mas esse resultado não vai tirar, de maneira alguma, o nosso foco, a nossa força para o clássico”, garantiu Dado.
Ele lembrou que em clássicos, como o de domingo, os pequenos detalhes são bem mais relevantes e podem causar prejuízos bem maiores, caso sejam desprezados. “Se um jogo assim (contra o Independente) já é decidido no detalhe, imagine um clássico. Aí é que os cuidados devem ser redobrados”, alertou.
O treinador tem menos de dois dias para tentar ‘arrumar a casa’ para o Re-Pa. Como o time não trabalhou ontem à tarde, devido a viagem de volta a Belém, restaram somente a tarde e o dia de hoje para os treinos.
Amanhã, véspera do jogo, haverá apenas um treino de descontração para os atletas que serão relacionados para a partida.
(Diário do Pará)
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