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ESPORTE PARÁ

Aos 58 anos, atleta paraense correrá Grand Prix

Depois dos 40 anos, muitos atletas profissionais já estão distante das pistas, das quadras e dos gramados, aproveitando a aposentadoria dos treinos e da carreira. Os 47 anos, no entanto, foram o ponto de partida para o corredor paraense Manoel de Nazaré S

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Depois dos 40 anos, muitos atletas profissionais já estão distante das pistas, das quadras e dos gramados, aproveitando a aposentadoria dos treinos e da carreira. Os 47 anos, no entanto, foram o ponto de partida para o corredor paraense Manoel de Nazaré Sardinha, que se prepara para competir no XII Gran Prix do Mercosul, realizado no Uruguai, entre os dias 25 e 26 de abril.

Atualmente com 58 anos, Manoel Sardinha é atleta profissional de provas de 800 metros, 1.500 metros, 5.000 metros e 10.000 metros. Com aproximadamente 13 títulos na carreira (entre brasileiros e títulos do Grand Prix Sul-Americano), o atletismo foi a forma escolhida por Manoel para superar vícios do passado.

“Eu bebia muito, tinha problemas com álcool e cigarro. Para fugir dessa rotina, tinha que encontrar algo que pudesse me livrar desse vício. Então eu coloquei na minha cabeça que ia praticar atletismo. Na época, eu jogava futebol, mas na saída acabava indo beber. Com o atletismo, eu criei uma responsabilidade como atleta”, conta Manoel.

Aos 47 anos, ele resolveu apostar tudo no esporte: largou o emprego na construção civil e começou a se dedicar somente aos treinos. Encontrou nas pistas de atletismo da Universidade Estadual do Pará (Uepa) o apoio de treinadores para começar a carreira que já dura mais de 10 anos.

A primeira competição profissional foi em 2007, em Porto Alegre: aos 50 anos, conseguiu três medalhas de ouro e duas de prata no Prêmio Brasil de Atletismo. Até 2014, era o primeiro lugar brasileiro na categoria de 55 a 59 anos, perdendo o posto após uma lesão que gerou maus resultados em uma competição na Paraíba, no ano passado.

O Grand Prix Mercosul, em abril, será um chance de reconquistar a colocação no ranking nacional. "Pretendo ficar entre os três melhores. Pelo menos uma medalha de bronze quero trazer. Entramos em uma competição dessa para trazer resultados", afirma o corredor.

Perto de completar 60 anos, o fim da carreira ainda não é algo vislumbrado pelo atleta. “Espero passar dos 60 anos correndo ainda”. Depois, a ideia é montar uma escola ou um projeto para impulsionar novos talentos no atletismo local. “Quero passar minha experiência de vida com atletismo. Talvez montar uma escolinha, pra poder lapidar alguns jovens para o esporte”, comenta.

"O atletismo para mim, hoje em dia, é tudo na vida. O atletismo me tirou de uma situação adversa, recuperou minha saúde, minha auto-estima, minha família. A minha vida era de bebidas, fumo. Passava três dias na rua. Nunca pensei estar hoje em dia nesse cenário nacional. O esporte foi tudo pra mim", conclui Manoel Sardinha.

(Hélio Granado/DOL)

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