Quando o Remo saiu de campo derrotado na primeira partida da semifinal, a sensação deixada no plantel foi desoladora. Cabisbaixos com duas derrotas seguidas para o maior rival e com os salários atrasados, quem poderia dizer que dali surgiriam forças para uma virada histórica e inesperada? Talvez, a presença do técnico Cacaio, se não foi o grande fator da mudança, contribuiu substancialmente para a nova postura dos azulinos.
Com pouco tempo livre, sem conhecer todo elenco, o treinador precisou ser um grande mestre de obras, para formar e conduzir um time de operários, que tinham no trabalho árduo a única garantia de mudança. Não adiantava forçar a barra ou chamar a atenção. Os gritos deveriam sim, ecoar nas arquibancadas, e ao final dos 90 minutos e das cobranças de pênaltis, o resultado foi exatamente esse.
“Só a gente sabe o que tem passado. Com duas derrotas em clássico, fica difícil você conviver normalmente, principalmente com os problemas que afetaram o grupo. Eu saia na rua, ia fazer qualquer coisa, no supermercado, muitas pessoas passavam e tiravam brincadeiras, faziam chacota da situação. Era difícil, mas nós nunca baixamos a cabeça para nada, porque sabíamos que a nossa hora ia chegar”, desabafou o meia Ratinho.
O relato emocionado do atleta não é único. Entre eles, parece prevalecer a opinião de que algo está errado. Alguns, no entanto, foram bem mais incisivos e dispararam contra a diretoria. “Tivemos um jogo bem objetivo, sem firula. Jogamos honrando a camisa, mas o mesmo não tem ocorrido com a diretoria. As pessoas não têm noção do que acontece. Sei que é a primeira gestão do nosso presidente, mas as coisas não estão acontecendo de forma correta. Estamos abandonados”, criticou o zagueiro Ilaílson.
(Diário do Pará)
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