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ESPORTE PARÁ

Uma tentativa de moralização

Muito comum na Europa e adotado primeiramente no futebol paulista, o Fair Play Financeiro, ou trabalhista, é um mecanismo criado e adotado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para tentar impor aos clubes maior responsabilidade financeira, que mu

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Muito comum na Europa e adotado primeiramente no futebol paulista, o Fair Play Financeiro, ou trabalhista, é um mecanismo criado e adotado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para tentar impor aos clubes maior responsabilidade financeira, que muitas vezes afetam a saúde do mercado, inflando uma bolha de problemas que passam por ações trabalhistas, diminuição das receitas e aumento na dívidas.

Na prática, segundo o publicado no site da própria CBF, entre as diretrizes principais do fair play, está o cumprimento integral do pagamento dos salários de atletas, como explica o Artigo 18 da nova carta.

“O clube que, por período igual ou superior a 30 (trinta) dias, estiver em atraso com o pagamento de remuneração, devida única e exclusivamente durante a competição, conforme pactuado em Contrato Especial de Trabalho Desportivo, a atleta profissional registrado, ficará sujeito à perda de 3 (três) pontos por partida a ser disputada, depois de reconhecida a mora e o inadimplemento por decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

A penalidade, caso seja provada, não beneficia diretamente o atleta, mas atinge os clubes na parte mais estrutural, que é a gestão administrativa. “Há uma expansão das receitas dos clubes, mas sem nenhuma regulação, e assim eles continuam a se endividar para montar times competitivos”, explica o consultor em gestão esportiva Amir Somoggi.

Na proposta europeia, o Fair Play Financeiro tem uma diferença a mais na fiscalização. Além de evitar os atrasos, o organismo criado fiscaliza severamente os clubes que façam investimentos astronômicos, mas esse modelo, se implantado no Brasil, ainda precisa de adaptações, por prejudicar principalmente os clubes de pequeno porte, assim tolhidos de buscar parcerias e novos investimentos.

“Esse modelo limita o desenvolvimento de clubes. É muito ruim para o mercado. É uma divisão desequilibrada, não tem meritocracia; vai obrigar os outros clubes a buscarem novos tipos de financiamentos. No Brasil, o Fair Play trabalhista precisa se adequar à realidade dos clubes para que eles sejam responsáveis em suas contas e também possam buscar investimentos para alavancar suas receitas sem sofrer sanções”, conclui Amir Somoggi.

A palavra é responsabilidade

Para manter a dívida sob controle, clubes precisam ter cabeça no lugar na hora de programar seus gastos para a temporada

Montar equipes competitivas, com jogadores de qualidade, como exige o torcedor, sem que as finanças dos clubes sejam comprometidas, tem sido um grande desafio para Remo e Paysandu. O resultado de tal conciliação nem sempre tem sido positivo nos últimos anos, sobretudo no caso do Leão. As últimas gestões do atual campeão estadual não só não conseguiram atender ao anseio da torcida, como aumentou a dívida do clube. No caso do Papão, a situação tem se mostrado um pouco melhor, pelo menos de 2013 pra cá, com o clube chegando ao acesso à Série B deste ano e mantendo a dívida sob controle.

O presidente bicolor Alberto Maia, seguindo a cartilha de seu antecessor, Vandick Lima, tem conseguido gerenciar a contento a dívida na Justiça do Trabalho e, no mesmo passo, se negado a contratar profissionais com salários acima das condições do clube, o que só aumentaria o rombo no orçamento do clube. “Entendo que o gestor tem responsabilidade, independentemente da pressão dos torcedores, do planejamento que a diretoria esta implantando no clube, caso contrário, ele fará passivos que comprometerão as gestões posteriores”, diz Maia.

O diretor do Remo, Cláudio Bernardes, admite que a fama de caloteiro do clube, tem causado dificuldades à atual gestão no fechamento das contratações com vistas à Série D do Brasileiro. “Os jogadores se comunicam entre eles e estão sempre procurando saber sobre a questão salarial dos clubes”, lembra. Bernardes reconhece, ainda, que há pressão dos torcedores para que o clube importe jogadores caros, mas que no momento não tem como fazer isso. “Por isso torcedor não só vai ter de entender a nossa situação, como também ajudar o clube”, diz.

De acordo com o cartola a ordem no Baenão é não aumentar as dívidas do clube, tanto que a folha do elenco foi reduzida em relação ao Estadual em pelo menos R$ 50 mil. “Por isso a nossa decisão de ter um time praticamente caseiro”, afirma Bernardes.

(Diário do Pará)

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