Mais uma vez, o Clube do Remo conseguiu a façanha negativa de iniciar uma edição de Campeonato Brasileiro obrigado a cumprir partidas fora de casa. Desta vez, no Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o clube foi apenado, ontem, em três partidas fora de casa. Triste é a sina de quem dorme ao lado do inimigo sem nada poder fazer. Ainda que renegue, seus esforços são inúteis e os prejuízos cada vez maiores.
A sequência de fatos desagradáveis teve início no dia 14 de setembro, data da partida entre Remo e River-PI, em Bragança. O Leão cumpria seu último jogo de suspensão de outra pena, esta relacionada à edição de 2012, ao ser eliminado pelo Mixto-MT, em pleno Mangueirão. No dia 17 de outubro, o Remo foi julgado na Quarta Comissão e pegou pena de um jogo, mais multa de R$ 5 mil.
O Procurador da casa, Paulo Schmitt, pediu revisão, exigindo punição máxima de dez jogos e multa de R$ 100 mil. No julgamento do recurso, perdido por 4 a 3, os três primeiros votos foram a favor, os três seguintes empataram e o voto de minerva, proferido pelo presidente da corte, decretou o aumento da sentença.
O Remo só jogará com a presença da sua torcida no dia 13 de setembro, contra o Vilhena-RO, no Mangueirão.
Em 2014, a Série D começou no dia 20 de julho, mas para o Remo a competição só se tornou rentável no dia 28 de setembro, quando fez o primeiro jogo em Belém, contra o Brasiliense-DF, já nas oitavas de final e depois de quatro jogos em Bragança.
E o pior de tudo, para ser mais incisivo, é que a punição de ontem nada mais é do que a execução de outra ação vândala protagonizada no cumprimento de outra pena. Trocando em miúdos, quando o clube pensou que poderia cumprir seus ‘ganchos’ sem prejuízos futuros, a própria organizada, que se diz aliada, tratou, mais uma vez, de afundar o clube em prejuízos morais e financeiros incalculáveis que só o tempo poderá superar.
Mais prejuízos para os cofres remistas...
A irresponsabilidade de marginais travestidos de torcedores mais uma vez deixa o futebol azulino seriamente comprometido. Como se não bastasse o vexame nas arquibancadas, o medo imposto ao torcedor comum e a péssima reputação que levou o Ministério Público a decretar sua extinção, os integrantes da torcida organizada direta)mente responsável pela pena conseguiram afundar a agremiação que dizem gostar, da pior maneira: a financeira.
Impedido de receber os verdadeiros torcedores, o Remo será obrigado a mandar três partidas em Belém de portões fechados, conforme explica o diretor de futebol, Cláudio Bernardo. “O André Cavalcante (advogado do clube) nos repassou que a pena é para ser cumprida desta forma, seja em Belém ou Paragominas, então decidimos jogar no Baenão, que será liberado”, explica.
A dor no bolso é perfeitamente explicável. A tirar pelos últimos jogos no Mangueirão, o Remo arrecada cerca de R$ 300 mil, já descontadas as despesas, com uma média de 20 mil pagantes, Multiplicar por três, chega-se aproximadamente a R$ 900 mil, o suficiente para quitar praticamente três folhas salariais, justamente o tempo que o time tem, a partir de agora, sem qualquer renda considerável.
O jeito foi conversar com os atletas e abrir o jogo. “Para todos eles, inclusive os recém contratados, o departamento de futebol repassou que as dificuldades são grandes. Pelos próximos 20 dias, até o término do mês, está tudo bloqueado, mas existem os esforços para conseguir algo. O presidente deu um prazo até o final do mês para quitar o restante referente ao mês de abril e até a próxima segunda para saldar algumas pendências de moradias”, comentou o gerente executivo, Fred Gomes.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar