Há pouco mais de quatro meses em Belém, o técnico Dado Cavalcanti já experimentou de quase tudo no comando do Paysandu. A perda do Parazão e da Copa Verde, competições que ele pegou em andamento, quase fez com que o treinador, nascido em Recife (PE), perdesse o emprego. O início ruim do Papão na Série B do Brasileiro, com duas derrotas, uma em casa, na estreia, diante do Botafogo-RJ, e a segunda em Bragança Paulista, diante do Bragantino-SP, ajudaram a incrementar as críticas de parte da Fiel e segmentos da imprensa. Hoje, com o Papão na vice-liderança da Segundona, Dado caiu nos braços da torcida, sendo endeusado por aqueles que pediram a sua cabeça.
A permanência do treinador na Curuzu, no entanto, só ocorreu em função da decisão do presidente Alberto Maia e de seus diretores, que resolveram bancar o cargo nas mãos de Dado, de apenas 33 anos. A trajetória percorrida pelo técnico não chega a ser uma coisa assombrosa, num país onde a rotatividade de profissionais deste ramo é, historicamente, grande. O próprio técnico já passou por situações de “apertos” em outros clubes. Diante disso, ele não chegou a se surpreender com a pressão sofrida no início de seu trabalho no estádio da Curuzu.
“É normal o torcedor ficar com receio quando os resultados não aparecem”, afirma Dado. “As cobranças existem em qualquer clube. Mas é preciso ter paciência. A diretoria traçou um planejamento e creio que estamos desenvolvendo um bom papel dentro daquilo que foi idealizado”, aponta. O comandante bicolor fala ainda sobre o início pouco animador do time sob o seu comando, substituindo Sidney Moraes, outro treinador da nova geração, mas que não deu certo em sua passagem pelo Papão.
“Quando cheguei no Paysandu o time já tinha um planejamento e uma estrutura que vinha do técnico anterior, porém com esse tempo que tivemos pude implantar a minha forma de treinar, de organizar a equipe e de deixar a equipe da forma como eu gostaria que ficasse, dessa forma o elenco foi tendo o perfil que eu quero”, argumenta Dado, exibindo ar de vencedor.
Momento de incerteza já é passado
Começo titubeante fez o treinador bicolor receber uma saraivada de críticas e balançar no cargo, mas agora é aproveitar a lua de mel
O começo ruim do time comandado pelo técnico Dado Cavalcanti contrasta frontalmente com a campanha surpreendente feita pelo Paysandu na Série B do Brasileiro. Abstraídas as duas derrotas para o Botafogo-RJ e o Bragantino-SP, a equipe listrada acumula um total de sete jogos sem derrota na competição, com seis vitórias e um empate.
No geral, Dado tem o seguinte retrospecto: em 24 jogos, 14 vitórias, 4 empates e 6 derrotas (veja o infográfico na página 3). Com números tão favoráveis, o treinador não poderia resumir de maneira mais coerente este seu momento no Papão: “Estou bastante feliz aqui”, garante Dado.
O treinador, porém, olhando para trás, reconhece que a situação é bem diferente do começo de seu trabalho à frente do time. “Passei por momentos muito difíceis. Foram momentos de reprovação, de dúvidas e muitas, mas muitas, incertezas”, recorda.
“As críticas, como seria natural, vieram em grande dose pelo fato de o time não estar conseguindo os resultados que o torcedor esperava”, justifica.
O fato de o Papão ocupar, hoje, posição privilegiada - até o início da 10ª rodada era o vice-líder da Série B, atrás apenas do Botafogo-RJ, favorito ao título, não iludem o treinador.
“Sei bem que no futebol tudo passa, inclusive este momento que estamos vivendo. As coisas são muito rápidas”, observa. “Cabe a mim, postergar ao máximo essa situação que estamos vivenciando dentro da competição. Essa é a minha responsabilidade aqui no Paysandu”, discursa o comandante bicolor. Dado ressalta, ainda, o apoio que tem recebido da diretoria do Paysandu.
“Dentro dos limites que nós sabemos que existem, a diretoria tem feito de tudo para oferecer as melhores condições de trabalho possíveis”, ressalta Dado, dividindo os méritos do início vitorioso do time no Brasileiro.
(Diário do Pará)
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