Com todas as vísceras da atual administração expostas, restou ao Condel convocar os conselheiros para discutirem a atual gestão, acusada de “temerária”.
Uma comissão foi criada com o objetivo de apreciar as denúncias que atingiam desde a gestão Minowa até a era Zeca Pirão. Em ambos os casos, situações obscuras foram percebidas, mas na prática, apenas um pagou o preço alto.
Na plenária da sede social, o ex-presidente Zeca Pirão foi absolvido da acusação de irregularidades na sua prestação de contas. Enquanto isso, Minowa, por ter vendido de forma obscura o atacante Rony e ter assinado contratos sem ler, teve encaminhado à Assembleia Geral o pedido para sua destituição do cargo.
Não se sabe quem está certo, mas o fato é que houve uma enxurrada de críticas a um modelo com nova visão administrativa. “Foi feito um estatuto muito diferente do anterior e novas situações foram colocadas, a exemplo da apuração de atos considerados graves às finanças do clube.
Foi criada a comissão de futebol para dar mais rigor na questão orçamentária. Isso foi uma mudança radical se comparado ao antigo”, explicou Domingos Sávio.
O promotor e conselheiro, além disso, afirma que o novo estatuto não pode agradar a todos. “Nós pegamos itens de outros (estatutos), mas o principal foi modificá-lo em relação ao anterior e isso às vezes gera descontentamento, infelizmente”, esclarece.
Novo mantra: responsabilidade
Um dos itens de maior valia que a nova versão do estatuto trouxe foi a possibilidade de impedir que um presidente prejudique as administrações futuras. Por anos, presidentes antecipavam cotas de patrocínio de um período que excedia a própria gestão. Na prática, quem assumia em seguida simplesmente não via a cor do dinheiro. Essa alteração, de acordo com Domingos Sávio, representou um avanço no modo de gerir o clube.
“Nenhum presidente pode mais fazer isso. Era muito comum. Alguns antecipavam cotas de até dois anos à frente de sua administração”, lembra Domingos.
Mas se a mudança no modelo financeiro tem agradado, o mesmo não se pode dizer sobre o direito a voto, outro entrave muito questionado, principalmente quando o assunto é sócio torcedor.
Atualmente, apenas sócios proprietários e remidos têm direito a voto. Outro nicho significativo é composto por essas pessoas. No novo estatuto, eles continuam sem o direito.
“Particularmente, eu sou contra. Como o nome diz, o sócio proprietário é o mais interessado em quem vai gerir os destinos do clube. O sócio torcedor é voltado para as atividades esportivas, tudo relacionado ao futebol, mas nada impede que a pessoa que ama o clube seja os dois. Tem gente nessa condição”, corrobora Domingos.
Essa mudança só será vista caso a comissão de revisão da carta magna esteja interessada em ampliar de uma vez por todas a democracia nas eleições do clube, e não apenas apertar o cerco contra as más gestões.
“Essa atual comissão criada vai revisar tudo. Se ela achar que deve ser acrescentada, os conselheiros vão votar. Agora, outros pontos devem ser cortados. Um deles é o Conselho de Futebol”, revela o presidente do Condel, Manoel Ribeiro.
Na prática, a decisão tira a amarra na gestão do futebol e dá liberdade para que os diretores de futebol façam um bom trabalho ou o afundem de vez, pelo menos por conta própria.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar