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ESPORTE PARÁ

Velber fala da vida após o cárcere

Dois meses e 26 dias. Nesse período, Vélber Augusto Pantoja Conceição foi ao inferno, voltou e, apesar das agruras do sistema carcerário no Presídio Estadual Metropolitano 1, em Marituba, e de praticamente ter ido ao fundo do poço, manteve o velho e bom s

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Dois meses e 26 dias. Nesse período, Vélber Augusto Pantoja Conceição foi ao inferno, voltou e, apesar das agruras do sistema carcerário no Presídio Estadual Metropolitano 1, em Marituba, e de praticamente ter ido ao fundo do poço, manteve o velho e bom sorriso no rosto no dia seguinte à liberdade conquistada através de um habeas corpus. O atraso no pagamento da pensão alimentícia a dois de seus quatro filhos foi o que motivou a ida para a cadeia do ex-jogador de Tuna, Remo, Paysandu, São Paulo e outros clubes do futebol brasileiro. O valor, R$ 50 mil, ainda era um reflexo da fase em que o meio-campista ostentava um certo glamour, desfilando por grandes equipes do futebol nacional.

Mas, desde 2013, Vélber estava longe dos holofotes. O Cametá, tima paraense, foi o último clube do jogador, que viu as portas serem fechadas em outros clubes diante da ameaça de ser preso a qualquer momento. Não se discute as habilidades do hábil jogador criado nas categorias de base da Tuna Luso Brasileira, mas que clube o contrataria diante do risco iminente de o contrato ser encerrado a partir de um mandado de prisão? Para ter algum rendimento, ele se propôs a jogar futebol pelada em troca de algumas colaborações de amigos.

O inferno astral do atleta, que aos 37 anos se recusa a encerrar a carreira profissional, e diz que jogaria fácil em qualquer clube do futebol paraense hoje, teve seu auge há quase três meses, quando foi chamado para prestar contas com a Justiça para a pensão não paga. Vélber diz que não havia mandado algum, mas que se prontificou a pagar seu débito de outra forma: se oferecendo espontaneamente para ser preso.

Graças à intervenção do Sindicato dos Atletas Profissionais do Pará o meia conseguiu, mais de dois meses depois, sua liberação graças a um habeas corpus. Segundo André Santos, advogado do Sindicato, a defesa chegou a propor o pagamento de R$ 20 mil, o que foi recusado pela ex-esposa do jogador, Cristiane Pereira. Para piorar, a audiência de julgamento do HC, prevista para o começo do mês, foi adiada para o dia 17. Essas e outras revelações foram feitas na manhã de ontem pelo jogador ao DIÁRIO. Confira:

A PRISÃO
“Se não me engano foi a terceira vez que ela (ex-esposa) mandou me prender. E conseguiram. Não me prenderam, eu me entreguei. Quem falou comigo não tinha mandado de prisão. Falei com o delegado e achei que tinha que dar um basta nessa situação, ou pagando o que eles queriam ou sendo preso”.

ANJOS NA CADEIA
“Graças a Deus foi tudo revolvido e graças aos meninos do Sindicato (dos Atletas Profissionais do Pará). Sem falar dos amigos que fiz lá dentro do presídio, os agentes penitenciários, que foram anjos colocados por Deus na minha vida. Graças a Deus não aconteceu nada, mas passamos por momentos difíceis”.

CELEBRIDADE
“Aconteceram coisas lá dentro do presídio que eu não esperava, eu achava que era querido por muita gente, mas não esperava isso do pessoal lá dentro. Queriam que eu jogasse bola com eles, faziam questão de me conhecer, dar um abraço, aperto de mão. Me surpreendi muito. A cela em que eu estava era especial, e eu estava com outras pessoas que tinham sido presas por pensão também, advogados, esse pessoal”.

REBELIÃO E FUGA
“Quando tem confusão lá (rebelião e motins no Presídio Estadual Metropolitano - PEM 1) já transferem a gente. Era muito rápido e colocavam a gente pra fora da cela. Na última vez que aconteceu, vi a confusão, desci pela janela. Amarrei o lençol na grade da janela e desci pelo lençol. Nem eu acreditei. Foi Deus mesmo! Uma hora eles me reconheceram e falavam: “Não atira que é o Vélber”. Lá é assim, nosso problema é diferente do deles”.

APOSENTADORIA?
“O que eu sei fazer na vida é jogar futebol, tenho idade pra jogar, 37 anos. Tenho bastantes exemplos. Rivaldo que tá com 42 (joga no Mogi Mirim), o Zé Roberto tem 41 anos (joga no Palmeiras). Por que eu não posso jogar? Não bebo, não fumo, me cuido e tenho condições de voltar a jogar principalmente aqui em Belém”.

(Diário do Pará)

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