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ESPORTE PARÁ

Filha de servidor teve atendimento negado

Era de noite e a filha de um ano e três meses jantava com sua família no bairro da Terra Firme, em Belém. De repente, a menina se engasgou com a comida e, o pai, da área da saúde, lhe aplicou um procedimento de primeiros socorros para evitar que sufocasse

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Era de noite e a filha de um ano e três meses jantava com sua família no bairro da Terra Firme, em Belém. De repente, a menina se engasgou com a comida e, o pai, da área da saúde, lhe aplicou um procedimento de primeiros socorros para evitar que sufocasse. Mas ainda teve que correr ao socorro médico. Vinculado ao plano de saúde pelo Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Pará (Iasep), ele foi com a filha até a emergência de uma clínica pediátrica, mas não obteve atendimento pelo plano. Informado por telefone que em outra clínica credenciada ao Iasep estaria sem pediatra, ele se viu forçado a pagar R$ 400 para não perder a filha caçula.

Após avaliação médica e exame de raio-X, o quadro de saúde da menina ficou estável. Mas, sem ressarcimento, restou ao servidor a indignação. “Isso é brincar com vidas”. Com medo de retaliação, o pai, servidor público do Estado, preferiu não ser identificado pela reportagem.

O servidor conta que, todo mês, o desconto do Iasep, no valor de R$ 200, é certo em seu contracheque. E acrescenta: sua maior preocupação era de precisar de uma internação clínica, o que aumentaria o valor cobrado pelo atendimento. “Trabalho nessa área e sei que uma simples utilização de uma injeção em gel custaria R$ 180,00”. Pondera. O pai diz que o problema é ainda pior: ele já precisou de serviços de odontologia, assegurado pelo mesmo convênio, mas foi atendido porque era paciente antigo. Agora, com suspeita de que a filha sofra de asma, o servidor revela que pensa em recorrer a um plano particular para tudo isso não ocorra novo.


CRISE

Em maio deste ano, o Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Pará (Sindesspa) criticou a falta de posicionamento do governador Simão Jatene e o responsabilizou pela crise na qual se encontra o Iasep. Segundo o sindicato, se nada for feito, cerca de 255 mil usuários podem ser prejudicados com a falta de qualidade do serviço. De acordo com o presidente do Sindesspa, Breno Monteiro, o Iasep pode mesmo vir à falência - ou teria dificuldade muito grande para se manter.

Monteiro lembra: empresas e, principalmente, médicos não têm costume de pedir descredenciamento. “O usuário liga para o consultório e o médico diz que não tem vagas. Ele não diz que não atende mais.” Essa é hoje uma forma de limitar o atendimento, exemplifica.

Em nota do DIÁRIO, o Iasep limitou-se a informar que apenas uma empresa oficializou o fim do contrato com o Iasep: a Clínica do Bebê. No local, eram realizados consultas e atendimento pediátrico de urgência e emergência. Atualmente, esses serviços, bem como as internações hospitalares com apoio para cirurgias, estão sendo realizados pelo Hospital Mamaray.

(Wal Sarges/Diário do Pará)

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