Para os apaixonados por futebol, sair de casa num sábado ou domingo à tarde e assistir às partidas é uma experiência única. Mas, por conta da violência que se observa em dias de jogos, tanto fora como dentro dos estádios, e até mesmo pelas condições precárias de segurança, de conservação e de serviços que são oferecidos, esse momento de diversão do torcedor perde muito do seu valor. E, no centro dessa questão, está a recente decisão de liberar a comercialização da cerveja nos estádios. Aprovado em todas as instâncias no último dia 4 na Assembleia Legislativa do Pará, o projeto de lei n° 268/2015, do deputado Milton Campos, traz a reflexão sobre a violência durante os jogos.
A maioria, principalmente quem aprecia ver um bom futebol ‘acompanhado de uma cerveja’, vê com bons olhos o retorno do consumo dentro dos estádios. O microempresário Antônio Gomes, torcedor do Clube do Remo, por exemplo, avalia a liberação da comercialização como algo positivo tanto para o consumidor quanto para quem comercializa. “Acredito que agora com essa liberação vai haver uma fiscalização maior em cima de pessoas que gostam de tumultuar na hora do jogo”, pontuou, lembrando ainda que, para ele, a violência não depende do consumo do álcool nas arquibancadas. “O torcedor consumia fora do estádio e entrava na hora do jogo com o mesmo ‘ânimo’ de como se estivesse consumindo na hora do jogo. A violência dentro dos estádios com certeza independe do consumo”, frisou.
Para o delegado Claudio Galeno, que é diretor de polícia metropolitana, a bebida é um ingrediente a mais, mas não é fator determinante para a violência. “Pela experiência de acompanhar esse tipo de violência não podemos dizer que o álcool é um fator determinante, até porque cada pessoa tem uma reação diferente quando ingere bebida alcoólica. Uns ficam mais felizes, outros engraçados e existem os que ficam violentos”, explicou o delegado, frisando também que a violência gerada pelo torcedor é resposta do ambiente que ele vive.
“O público que frequenta o estádio e que provoca a violência nas arquibancadas vive esse momento em outros contextos da vida dele. Com certeza a bebida não é um fator que determina a violência dentro dos estádios”, ressaltou Galeno.
(K. L. Carvalho)
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