Quando o mês de dezembro chega, o futebol brasileiro e sul-americano vai saindo de cena. Praticamente todos os times entram de férias nesse período e começam a refletir sobre como foi a temporada e como pode e deve ser a próxima. Exceto para aquele que conquistou a Taça Libertadores da América. Para esse clube, o período ainda é de muita luta e briga pela manutenção do sonho de se sagrar campeão mundial de futebol. Dezembro é o mês de disputa do Mundial de Clubes da Fifa, que remete a várias conquistas e times marcantes, como o Santos de Pelé.
Curiosamente, neste domingo, dia 13, duas conquistas de clubes brasileiros na competição são comemoradas. A do Flamengo, que meteu 3 a 0 no Liverpool, em 1981, naquele que é considerado o maior jogo da história do clube rubro-negro - Adílio marcou um gol e Nunes fez dois; e a do São Paulo, que venceu o Barcelona, em 1992. O timaço de Telê Santana perdia por 1 a 0, mas virou o jogo com dois gols de Raí.
É bom dizer que os times europeus não compartilham tanto do entusiasmo sul-americano pela competição. Até porque os campeonatos de lá ainda estão a pleno vapor. Mas a mística segue forte por aqui, com o título de campeão do mundo sendo item de destaque nas biografias dos vencedores.
Esse ano a competição não tem clubes brasileiros, mas terá vários jogadores do país em campo. O favoritismo é amplo do Barcelona, do trio Messi, Suarez e Neymar, mas o River Plate, que há 29 anos levantava seu único título mundial, está disposto a, com sua raça e tradição, complicar a vida do campeão europeu. Conheça a seguir um pouco mais do torneio, que entre altos e baixos, já conta 65 anos de história.
Desdém europeu vem de longe
Embora a disputa dos mundiais envolvendo campeões da Europa e América do Sul tenha iniciado por iniciativa dos europeus, o povo do velho continente não prioriza o torneio em relação a nenhuma disputa doméstica.
Disputando a competição no meio da sua temporada, os milionários clubes não enxergam nos demais participantes um desafio técnico relevante, nem na premiação qualquer valor especial. O duelo do Barcelona de Messi e Guardiola contra o Santos de Neymar, por exemplo, colocou frente a frente dois dos melhores times de seus continentes dos últimos tempos. A goleada de 4 a 0 dos Blaugranas causou rebuliço no Brasil, mas passou quase despercebida na Europa.
Esse pouco apreço não é uma situação nova. Após muitas brigas e confusões, inclusive descambando para a violência nos jogos disputados na América do Sul (nos tempos de Mundial Interclubes), nos anos 1960, as equipes europeias começaram a abrir mão de disputar o troféu. Durante a década de 1970, em cinco ocasiões a Europa foi representada pelo vice-campeão europeu.
A partir de 1980, com a decisão em apenas um jogo no Japão, os clubes passaram a participar regularmente, mas continuaram tratando o torneio como de importância menor.
(Taion Almeida/Diário do Pará)
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