A importação de dez jogadores pelo Remo para a disputa do Campeonato Paraense de Basquete deste ano continua gerando polêmica. Para alguns apaixonados pelo bola ao cesto local, a vinda dos atletas só trouxe prejuízos ao esporte paraense. A alegação é de que esse tipo de gerenciamento do basquetebol prejudica o surgimento de valores nos clubes locais. Este é o pensamento, por exemplo, do ex-jogador Paulo Seráfico, de 60 anos, espécie de ícone da história do esporte no estado. Com sete títulos como juvenil pelo Remo e outros sete pelo Paysandu, já no adulto, o ex-craque faz severas críticas a importação em massa de jogadores.
Seráfico informa que procurou ficar distante das quadras este ano. “Foi um campeonato em que de basquetebol paraense não teve nada”, critica. “De um lado tivemos o Remo e do outro a metade da camisa do Paysandu. Na verdade, desde o final da década de 90 não temos times com o verdadeiro basquetebol paraense”, dispara. “Não há a revelação de bons jogadores e nem o intercâmbio com outros estados. Por isso estamos nessa situação, tendo de trazer tanta gente de fora. Não há organização por parte da federação e nem o interesse dos dirigentes, que pensam mais neles que no engrandecimento do basquetebol”, dispara.
Em tom menos ácido, o agora ex-diretor do Paysandu, Miguel Sampaio, também fez críticas à importação de jogadores feita pelo Remo, que só do Jacareí, campeão da Supercopa, trouxe quatro atletas. “Nós no Paysandu preferimos prestigiar o valor local. A gente até poderia ter trazido atletas de fora, mas optamos pelo jogador local”, argumenta.
Em defesa da iniciativa azulina, o diretor Sérgio Dias afirma que a importação sempre ocorreu. “Não é uma coisa nova. Isso já vem de longe. Sempre tivemos aqui treinadores e jogadores vindos de centros mais evoluídos”, assegura Dias, informando que o Leão investiu R$ 40 mil na contratação do técnico Abdala Salomão e seus jogadores.
(Nildo Lima/Diário do Pará)
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