Pensar em Re-Pa é imaginar, entre outras coisas, a festa das torcidas, com seus tons de azul concorrentes. É apostar em quem canta mais alto o hino do clube ou quem entoa mais marchinhas ou palavras de incentivo ao time. As torcidas não são apenas uma participação especial da festa histórica de um clássico entre Remo e Paysandu. As torcidas são protagonistas. Elas elevam a autoestima dos jogadores, mesmo nos momentos em que a esperança de uma virada, por exemplo, é irreal.
Falando assim, é possível até pensar que essas torcidas estão sendo extintas. Quase isso. Na última semana, surgiu uma notícia em relação à possibilidade de adoção do sistema de torcida única no Mangueirão para o clássico Re-Pa, em razão das obras do BRT na rodovia Augusto Montenegro, que impediria o acesso dos torcedores por aquele setor do estádio. Em seguida, a Polícia Militar emitiu nota garantindo que, “até o presente momento não houve nenhuma determinação, orientação ou decisão acerca do uso das praças desportivas que receberão os jogos do Campeonato Paraense 2016 nos municípios do Estado”, deixando em aberto essa possibilidade para ser discutida adiante.
A universitária Ana Sara Lima, 19, torcedora do Clube do Remo, é contra qualquer decisão que proíba os jogos entre Remo e Paysandu com as duas torcidas presentes. “Eu sou contra. Pra mim, tira a beleza do clássico. Não tem coisa mais bonita que ver o Mangueirão dividido em dois tons de azul”, ressaltou a torcedora.
A musicista Layse Lamonte, 18, torcedora do Paysandu, garante que, “Re-Pa com uma só torcida não é Re-Pa. A torcida é um jogador a mais de cada time, fazemos questão de estar lá pra apoiar o nosso time”, pondera.
Há quem seja a favor, em parte, da decisão. O universitário José Francisco Junior, 23, torcedor do Remo, acredita que, se a decisão for provisória, deve ter o apoio da torcida. “Se for algo provisório, apenas pela questão do BRT e a segurança, eu apoio, mas que não seja algo permanente, pois os dois clubes e a população como um todo perderiam bastante se os clássicos começassem a ser de torcida única”.
Para o diretor jurídico do Paysandu, Alexandre Pires, Re-Pa de torcida única tira o sentido do clássico. “Hoje (sexta-feira) mesmo conversei com o Maia e, como ainda não recebemos nenhuma notificação oficial, temos que esperar. Claro que o clube é contra, mas é preciso ver quais as fundamentações que a PM vai colocar, caso decida por isso”, frisou Pires.
O diretor do Nação Azul, André Cavalcante, também não aprova a possível medida. “Sou totalmente contra. Os clubes não podem pagar por uma inoperância estatal. Nós entendemos que um Re-Pa é patrimônio imaterial e não podemos colocar essa perda em risco em momento algum. Isso é um crime contra o clássico”, afirma.
(K.L. Carvalho/Diário do Pará)
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