Quando os apaixonados por futebol imaginam que os escândalos que envolvem a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cessaram após a saída de cena dos ex-presidentes Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, todos atrelados a casos de corrupção, o atual presidente interino da CBF, o coronel Antônio Carlos Nunes de Lima, empossado em dezembro de 2015, também se tornou alvo de investigações.
O coronel está sendo indagado pelo Ministério Público do Pará por sua atuação, ainda como presidente da Federação Paraense de Futebol (FPF). O órgão quer saber como a entidade gastou quase R$ 3,5 milhões de verba pública entre 2011 e 2013. Além dessa suspeita, ainda pairam sobre Nunes as desconfianças sobre a legalidade do processo que o conduziu à cadeira principal da CBF e sobre o benefício que recebe como anistiado político, embora tenha servido exemplarmente à ditadura militar.
O Governo do Estado é quem patrocina o Campeonato Paraense de Futebol, e por isso, o MP, que iniciou as investigações em 2011, pediu a prestação de contas da federação desde então para saber se todo o dinheiro está sendo realmente investido no futebol. De acordo com o promotor de Justiça de Tutela das Fundações e Entidades de Interesse Social, Sávio Brabo, que é responsável pelas investigações, todos os documentos já foram encaminhados à CPI do Futebol, que corre no Senado Federal. “Entregamos todos os documentos à assessoria do Romário no Senado”, diz Sávio.
De acordo com publicações no Diário Oficial do Estado, e também com base no relatório preliminar de prestação de contas do Ministério Público, em 2011 foi repassado para a FPF cerca de R$ 1.375.810,00, sendo R$ 100 mil da Assembleia Legislativa do Estado e R$ 1.275.810,00 da Secretaria de Esporte e Lazer (Seel). Já em 2012, mais R$ 1.105.810,00, também da Seel; e, em 2013, o repasse da secretaria diminuiu para R$ 1 milhão. O Ministério Público também quer saber se a administração do coronel não usou a verba pública para contratar serviços prestados por parentes.
A reportagem do caderno Bola entrou em contato com a assessoria de imprensa da CBF para ouvir o que o coronel Nunes teria a dizer sobre as investigações e demais suspeitas, mas recebeu a resposta via e-mail de que se tratava de “um conteúdo amplo e o presidente Nunes está em compromisso, não conseguiremos cumprir o seu prazo”.
ALEPA VAI ACOMPANHAR O CASO
Se o dinheiro público está sendo mal utilizado ou empregado de forma irregular, os parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) precisam acompanhar de perto qualquer investigação em que ocorra a solicitação de prestação de contas. Sendo assim, o deputado Iran Lima (PMDB), apoia as investigações do Ministério Público em cima da verba repassada nos anos de 2011 a 2013 de órgãos do Estado para a Federação Paraense de Futebol (FPF) para patrocinar o Campeonato Paraense.
“Nós apoiamos qualquer ação para que se tenha comprovação do objeto do evento e forma de investimento, e se deu prioridade à parte que realmente deve ser beneficiada ou não”, ressaltou o deputado, lembrando ainda que as investigações dão transparência ao destino do dinheiro público. “Esse recurso é para dar apoio ao Campeonato Paraense e essas investigações servem também para dar transparência na forma em que é usado o dinheiro público. O Estado tem a obrigação de acompanhar a prestação de contas. Se não estão acompanhando a execução do processo é porque são coniventes com qualquer que seja o resultado”, diz.
Mesmo sem saber o resultado das investigações do MP, Iran pondera sobre o destino de quem está sendo investigado. “É sabido que se caso o Ministério Público encontre qualquer irregularidade, os envolvidos correm o risco de serem condenados pela devolução do recurso”, conclui.
(K.L. Carvalho/Diário do Pará)
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