Para comandar o futebol feminino do Paysandu, foi selecionada uma profissional de muito gabarito. Aline Costa, ex-jogadora e com quatro títulos do Campeonato Paraense como treinadora, sendo três pela Tuna Luso e um pelo Pinheirense. A técnica da equipe espera usar toda a sua experiência para comandar bem a equipe alviceleste e conquistar mais um título estadual, agora no comando das meninas da Curuzu.
Aline não está neste posto à toa. Além do vasto currículo, ela frequentemente participa de cursos e palestras sobre o futebol. “Existe toda uma preparação. Quando tivermos a possibilidade para apresentarmos o nosso trabalho em um jogo oficial para o nosso torcedor, eles vão ver que em muitos esportes não há diferença do masculino e no feminino. Todos vão poder ver que a nossa equipe é preparada”, diz.
Aline busca também sempre manter contato com os treinadores de outros clubes, em especial os que trabalham com as mulheres. Ela confessa ser fã de Dado Cavalcanti, técnico do time masculino do Papão, de quem espera muita ajuda. Além disso, um de seus grandes conselheiros é o ex-treinador da seleção brasileira feminina que foi medalha de prata nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, Renê Simões.
“Eu fui ao Rio de Janeiro fazer um curso. Sou técnica sindicalizada. Converso com o Renê Simões, ele me dá muitas dicas. Eu também converso com uma psicóloga do Vasco da Gama, que me ajuda muito também. Com o Renê, eu fui fazer o curso uma vez. Eu sempre era vice e ele me tranquilizava dizendo que uma hora eu ia conseguir ser campeã, que eu precisava ter paciência. E quando nós começamos a ser campeãs, eu conquistei vários torneios”, contou a técnica.
Preconceito ainda é uma realidade
A sociedade, em si, ainda é muito preconceituosa. E esse pensamento também se faz muito presente no futebol. Se para os homens, seguir o sonho de virar jogador profissional já é muito difícil, para as mulheres a complicação é muito maior. Além das ofensas e desconfianças, o apoio de órgãos e patrocinadores é pequeno. Mesmo com todas essas dificuldades, elas não desistem de seguir nessa luta.
Segundo Aline Costa, treinadora do Paysandu, é muito difícil se trabalhar com o futebol feminino. Segundo ela, é preciso brigar e persistir muito para conseguir algo. “Por conta desse preconceito, eu deixo de fechar muitos patrocínios. Um empresário chega e diz que não vai patrocinar por diversos motivos. Eu só consigo quando alguém vai lá e assiste o treino e conhece melhor, porque assim ele começa a entender a nossa realidade. Mas é muito difícil”, afirmou.
Aline espera que em um time grande, como o Paysandu, este tipo de pensamento acabe e que as mulheres consigam ter o mesmo direito dos homens, tanto na sociedade, como também no esporte. “O futebol feminino precisa de mais espaço. Eu tenho certeza que agora, no Paysandu, vamos ter mais espaço na mídia. É possível que todos vejam e conheçam o nosso trabalho e consigamos diminuir todos os tipos de preconceitos”, encerrou.
ESTREIA NO PARAZÃO
Os treinos da equipe bicolor estão concentrados para a estreia no Parazão de Futebol Feminino, que será no próximo dia 1º de maio.
(Café Pinheiro/Diário do Pará)
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