“Goleiro é uma posição tão ingrata que onde ele pisa não nasce grama”. A frase do filósofo da bola, Neném Prancha, dá bem uma ideia do quanto é espinhosa a carreira de um jogador que tem a missão de evitar aquilo que todo torcedor mais gosta de ver: gol. Pois aqui e ali, os goleiros surpreendem ao ficar por um bom tempo sem ver sua própria rede balançar. É o caso, agora, do paulista Emerson, titular do Paysandu. Há oito jogos (até a partida contra o Operário-PR) que ele não sabe o que é ter sua meta vazada, num total de 798 minutos (752 sem contar os acréscimos), sendo 662 minutos pela Série B (também sem acréscimos), um feito inédito em 42 participações do clube em Brasileiros.
Emerson já é o quarto goleiro da história do Paysandu a ficar sem levar gol por muito tempo. Ele só perde para Omar, em 1969, e Luis Carlos, em 92, que ficaram 11 jogos sem ver suas redes balançadas. Ambos, no entanto, tiveram alguns amistosos no caminho. Já Martorelli, também em 92, se manteve invicto por dez partidas, todas pelo Campeonato Paraense. Nem mesmo os maiores arqueiros da história bicolor, como Castilho, na década de 60, e Marcão, no início dos anos 2000, conseguiram tal marca.
A façanha de Emerson, 34 anos, nascido em Rancharia (SP), supera a invencibilidade do também paulista, de Santos, Róbson, que chegou a emplacar em 98 cinco jogos sem sofrer gols na Série B, portanto 450 minutos, com quatro empates e uma vitória. Emerson, por sua vez, registra quatro empates e quatro vitórias.
Em pouco mais de um ano na Curuzu, ele viveu diversas experiências. Depois de um mau começo em 2015, foi contestado pela torcida. Com a contratação de Ivan, a expectativa era de que Emerson passasse à reserva. O goleiro, porém, deu a volta por cima. Com uma sequência de atuações arrojadas, evitando derrotas que pareciam certas, o camisa 1 acabou caindo no gosto dos treinadores e, principalmente, dos mesmos torcedores que chegaram a pedir a sua saída do clube. Hoje, Emerson é apontado como uma das principais peças da equipe.
(Nildo Lima)
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