Entre as capitais do Brasil, a cidade de Belém é uma das que mais estreitos laços mantêm com Portugal. A influência portuguesa pode ser notada em nome de ruas, na arquitetura do centro histórico da cidade, nos clubes e associações que congregam os portugueses e descendentes na capital e em muitos hábitos e costumes herdados ao longo dos tempos.
Uma campanha marcante da seleção portuguesa geralmente reúne as diferentes gerações de lusos e luso-brasileiros para torcer e vibrar juntos. E assim foi com a família do empresário Adalberto Leal, que há mais de 60 anos, adotou Belém como morada. “Apesar dessa ‘cara de índio’ toda, eu sou português de Portugal mesmo”, comentou, trajando a camisa da seleção e em meio aos berros com os lances do final da Euro. “Minha família se mudou para Belém em 1950. Alguns permaneceram em Portugal, outros vieram para cá. Meu avô foi o fundador de uma das primeiras empresas de ônibus da cidade”, contou Beto, natural da cidade de Póvoa de Penela, no distrito de Viseu.
Do terraço de sua casa, a família Leal se reuniu para, em meio a vinho e churrasco, sofrer e vibrar com a jornada do Time das Quinas. “Tentamos reunir toda família, mas ela, na verdade, está bem espalhada”, disse, apontando para uma bandeira portuguesa na janela do prédio ao lado. “A família do meu primo está ali, torcendo”.
Sobre a surpreendente conquista, Adalberto relembrou a jornada do time na Euro de 2004, quando a conquista ficou por um triz. “Tínhamos uma geração muito boa, com Figo, Deco, Maniche e o Felipão fez aquele elenco encorpar muito durante o torneio. Perdemos a decisão para a Grécia nos detalhes. O time desse ano tem bons valores. Sabíamos que seria difícil, ainda mais perdendo o Cristiano Ronaldo no começo do jogo. Mas eu não preparei isso tudo para o time perder!”, ressaltou, em meio a risos o alegre português.
(Taion Almeida/Diário do Pará)
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