Susto e fé. Assim se resume a vida paterna do jogador paraense Magnum Rafael, pai de dois filhos: Kauê, 12 anos, e Rafaela, 8 anos.
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Com 30 anos, Magnum reescreve sua história no futebol; e a vida pessoal também começa a entrar nos eixos. Morando em Macaé (RJ) e defendendo o time local, hoje o paraense se apega a sua fé para aproveitar os momentos ao lado de Kauê e esperar pela oportunidade de ter Rafaela ao seu lado novamente.
“No dia do meu aniversário tive a confirmação da gravidez da mãe do meu primeiro filho. Quando o exame deu positivo, fiquei assustado, tremendo, mas muito feliz. Eu estava vivendo um bom momento no Paysandu na época. A notícia da Rafaela foi parecida, eu também estava em um bom momento, quando eu estava no Japão”, contou.
O fim do relacionamento com as mães dos seus filhos teve um agravante ainda maior: as crianças foram afastadas de Magnum. “O destino me pregou algumas peças”, disse.
O jogador viveu ao lado dos filhos apenas um pequeno período, quando eles ainda eram bebês. Depois disso, o resultado do rompimento dos dois relacionamentos foi o afastamento dos filhos. Sem contato com eles, as notícias vinham apenas de pessoas próximas.
“Minha relação com o Kauê foi tranquila até os dois anos. Quando eu me separei da mãe dele, as coisas começaram a complicar; ela não me deixava vê-lo, por isso, até os sete anos dele, a nossa relação foi de pouco ou nenhum contato. Sempre que eu estava de férias, ia para Belém, mas não conseguia encontrá-lo. Até que eu abri mão dessa procura, porque eu estava sofrendo muito”, explicou.
A relação com a Rafaela tem uma história parecida, mas escrita em outras linhas. “A minha filha supriu a tristeza que eu tinha no meu coração de não poder ver o Kauê. Eu convivi com ela até os quatro anos, mais ou menos, até que eu me separei pela segunda vez e tudo desmoronou”, contou.
Magnum tinha na Rafaela uma forma de “compensar” a ausência do Kauê, porém o desejo de ter o filho ao lado nunca foi esquecido.
“Com o golpe de ter meus dois filhos longe de mim, acabei me tornando uma pessoa sem expectativa. As pessoas usaram minhas maiores fraquezas contra mim, passei a não confiar em mais ninguém”, disse.
Há dois anos, o meia reestabeleceu o contato com Kauê, mas Rafaela ainda está longe do pai. Para completar a má fase, o paraense “abandonou” o futebol, perdeu a mãe e se rendeu a uma série de vícios. Magnum ainda travou algumas batalhas judiciais familiares e teve depressão.
“Eu não tinha cabeça para nada. Meus filhos, que são as pessoas que mais prezo na vida, não estavam comigo. Sei que meus erros me trouxeram consequências, era um momento de muita tristeza e turbulência”, acrescentou.
Em 2015, o jogador se converteu à igreja evangélica e encontrou em Deus a força para se reerguer. A volta aos gramados foi em 2015, quando o jogador disputou o Campeonato Carioca pelo Volta Redonda e começou a escrever um novo capitulo nos gramados.
“Hoje, a palavra de Deus é em que eu me apego”.
FILHO
“Minha relação com meu filho é maravilhosa. Ele já fala sobre tudo, me pergunta as coisas. Ele tem uma cabeça muito tranquila comigo. É incrível ter ele por perto”, contou emocionado.
Por cerca de mais ou menos nove anos, Magnum foi ausente na vida de Kauê, mas, hoje, o menino vê o pai como um ídolo. “Meu pai é um exemplo que devo seguir”, contou o pequeno.
O companheirismo entre os dois ficou mais evidente nas últimas férias escolares do menino. Kauê e Magnum tiveram um tempo para ficar juntos e compartilhar bons momentos.
“Hoje eu tenho um filho, amigo e companheiro. Ouvi-lo dizer que sempre fui uma referência para ele, mesmo distante, isso é gratificante. Ele sempre buscou saber de mim com pessoas da minha família ou mesmo pela internet. O Kauê é muito parecido comigo, e ele ainda sonha em jogar futebol”, contou o pai babão.
As semelhanças não estão apenas na personalidade. Quem vê pai e filho juntos percebe o quanto eles são parecidos fisicamente também.
“Passamos a metade das férias juntos, então pude conhecê-lo muito melhor. Não o vejo somente como um pai, mas como um amigo. Temos uma relação de amizade e amor, e com Deus no coração”, completou Kauê.
FILHA
Magnum diz que a fé em Deus ajuda a superar a ausência de Rafaela. “Em breve sei que a minha filha estará presente. Vivo minha vida em paz, porque sei também que com a minha obediência a Deus, minha filha logo estará comigo”, disse.
“O que eu mais quero é ter a minha filha perto de mim e, para isso, eu tive que me afastar, porque eu ia acabar enlouquecendo. Quanto mais eu queria estar perto, mais eu sofria”, acrescentou.
Com a ausência da Rafaela, Magnum entrou em depressão. “Eu estava vivendo de novo a mesma situação difícil, mas hoje as coisas estão mais calmas”.
Assim como aconteceu com o Kauê, Magnum tem fé de que um dia estará com a filha ao seu lado. “Como aconteceu com o Kauê, sei que ela vai voltar”, diz esperançoso.
RELAÇÃO PAIS E FILHOS
A família é constituída de vários membros, e todos com um papel importante para a criação psíquica de uma criança. Ao nascer, o novo ser torna-se a continuidade da mãe, e a presença de uma terceira pessoa ajuda com que ela estabeleça a sua individualidade no mundo.
“É necessário que este ser vivo tenha a presença de uma terceira figura no seu desenvolvimento, não necessariamente uma figura masculina, mas uma pessoa que exerça esse função paterna para que o seu desenvolvimento seja saudável. O “corte do cordão umbilical” pós nascimento com a mãe, é efeito exatamente por esta nova pessoa”, explicou a psicóloga Naomi Frazão, especialista em psicologia da criança.
Essa relação triangular, de acordo com a psicanálise, é que vai fazer com que este ser se torne individual, estabelecendo a sua relação de indivíduo.
Não se sabe informar precisamente os danos que a ausência dessa terceira figura no desenvolvimento de um ser, mas como foi dito, ele ajuda no crescimento saudável de uma criança.
“Se o pai existe é importante que ele seja presente e participe, mas caso outra pessoa faça esse papel paterno a ausência do pai é substituída, porque de fato, a criança questiona essa presença”, acrescentou.
Falando um pouco mais sobre a presença do pai, a criança pode sentir a ausência em alguns momentos da vida, como por exemplo no início da fase escolar. “As festinhas da escola ou enxergar na família do amiguinho a presença paterna, pode levar a criança a ter algumas dúvidas, mas o importante é sempre esclarecer o porquê o ‘pai’ não esta presente, para que não ocorra prejuízos psicológicos, o mais comum deles é que a criança se sente diminuída”, disse Noemi.
Nos casos em que o pai é afastado do filho ou se afasta, a figura materna precisa também deixar claro que essa terceira pessoa existe e não contar coisas ruins dela para a criança.
“Não se pode falar mal da figura paterna de forma alguma, esse tipo de comportamento pode ter um prejuízo na idealização que a criança faz do pai. Essa ausência paterna tem que ser lidada com tranquilidade”, esclareceu a psicóloga.
(Bruna Dias/DOL)
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