Apaixonado torcedor do Paysandu, para o qual já fez até samba de enredo, como compositor que é, o engenheiro e professor universitário Paulo Oliveira, 52 anos, é um crítico ferrenho do modelo de gestão adotado, nos últimos anos, por vários clubes brasileiros, entre eles o próprio Paysandu.
Na avaliação do ex-dirigente bicolor, as agremiações têm convivido, quase sempre, com prejuízos causados pelos acordos firmados com grupos de investidores do futebol. Na opinião de Paulinho, como é conhecido, a parceria entre o Paysandu e a Elenko, tão criticada pela torcida, “é um equívoco da atual gestão” do Papão.
Paulinho vislumbra, na parceria, alguns prejuízos para o clube, entre eles, o financeiro. “O clube não tem despesas com a vinda dos jogadores, mas eles chegam aqui ganhando salários astronômicos”, aponta.
“Esses salários são os principais responsáveis pelas grandes dívidas dos clubes”, avalia. A contratação de jogadores ligados a grupos de investidores, na opinião do ex-dirigente, também causa o desânimo em quem ganha menos e, em alguns casos, é até mais útil ao clube. “Foi o que aconteceu com o Paysandu, após a conquista do Paraense e da Copa Verde”, afirma.
Segundo Paulinho, a vinda de jogadores da Elenko, ganhando salários maiores, causou mal-estar entre os jogadores bicolores, após os títulos. “Jogadores que aqui ganhavam R$ 10 mil, R$ 15 mil, ficaram chateados quando chegaram jogadores da mesma qualidade ou inferiores, com salários de R$ 30, R$ 35 mil”, conta.
“Isso causou a desmotivação em quem já estava aqui”, prossegue. O ex-dirigente aponta o desprestígio da base do clube, como outro problema. “Não está ocorrendo a verticalização do futebol, com o jogador saindo da base para o profissional. Não há espaço para o atleta local”, aponta.
DEPENDÊNCIA NAS RELAÇÕES
A gestão do futebol da maioria dos clubes brasileiros é alvo de críticas de Paulinho Oliveira, principalmente quanto às parcerias com empresários.
“O problema é na maneira como o futebol vem sendo tratado, com esse acordo ruim ao Paysandu, como é em todos os demais clubes que adotam esse tipo de política de contratação”, especifica Paulinho.
O ex-diretor ressalta que “normalmente a parceria” causa dependências aos clubes. “Antigamente, antes da lei Pelé, só o jogador tinha o seu empresário. Hoje existe uma cadeia de cima para baixo, com diretor, treinador e jogador pertencendo à mesma empresa”, salienta.
A ligação entre dirigentes, técnico e jogadores acaba criando, na visão de Paulinho, uma relação nada ética. “O diretor, claro, só contrata jogador da empresa que a ele pertence, assim como o treinador só escala atleta que pertence a essa empresa”, diz. “Treinadores que têm vindo para o mercado do Pará, para a Série B, por exemplo, ainda estão em início da carreira e precisam do apoio desses empresários”, ressalta.
Segundo ele, o Paysandu poderia abrir mão desse tipo de acordo, procurando no futebol brasileiro atletas que não estejam ligados a grupos de investidores e apostar mais em sua base.
“Existem bons jogadores que não estão nas mãos das empresas. O centroavante do Santos, por exemplo, se destacou no Campinense-PB”, exemplifica Paulinho, referindo-se a Rodrigão, autor de 34 gols na carreira iniciada em 2013.
(Nildo Lima / Diário do Pará)
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