Lucival Barradas, aos 43 anos, luta para se manter treinando regularmente. Nos intervalos do trabalho como segurança, treina pesado para recuperar o tempo perdido nos 7 anos afastado do boxe. O retorno de Nenê, como é conhecido, aos ringues está marcado para o início de outubro, numa luta contra o atual campeão paraense, Nil (foto no detalhe), do município de Ananindeua. Objetivos auspiciosos como sonho de chegar ao título sul-americano estão no horizonte, mas o objetivo maior, na realidade, é outro. “Meu sonho é lutar no mesmo evento que o meu filho e poder treinar ele do córner”, comenta Nenê.
Boxeador com grandes resultados e uma longa história com o boxe, Nenê interrompeu a carreira de boxeador por conta de questões familiares – um processo de separação da mãe de seu filho, Johnatan Eduardo. “Não conseguia me concentrar na época. Mudou muita coisa, não dormia e nem me concentrava direito. Resolvi focar no trabalho e cuidar dos filhos”, comenta o lutador.
Apesar de não lutar, Nenê seguiu treinando e estimulando os filhos que seguiram no esporte. Quando seu filho mais novo se encontrou no boxe, conquistando um terceiro lugar no Campeonato Paraense, ele sentiu um tipo de chamado para os ringues outra vez. “Eu treinava ele, mas muitas vezes o trabalho não me deixava acompanhá-lo. Ele se ressentia e eu também. Além disso, ele não chegou a me ver lutando antes de parar, então é a chance que eu tenho de mostrar como o pai dele luta”, comenta o pugilista paraense.
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PAI E FILHO: DESAFIO EM DUAS FRENTES
A luta contra Nil é a primeira de uma série de 6 lutas que Nenê pretende realizar nos próximos seis meses. “Uma luta por mês, visando retomar as melhores condições para poder concorrer ao título sul-americano” explica o boxeador. Ao se afastar dos ringues em 2009, Nenê era campeão brasileiro na categoria pena, o que deixou o título vago. Como último campeão, ele tem o direito de desafiar o atual número 1 e tentar retomar o título. Retornando ao topo, tem o direito de disputar o sul-americano.
Mas o lutador afirma que a expectativa maior é na carreira do filho, apelidado de Nenê Junior. “O terceiro lugar no último Paraense foi surpreendente pelo pouco tempo que ele tinha na época. Acredito que ele poderia ter ido mais longe se eu tivesse o treinado do córner. Tenho certeza que meu filho vai longe, mais do que eu, e espero treiná-lo para chegar lá”.
Sobre a adaptação aos treinos, após tanto tempo parado, ele não nega que é um desafio. “Tem horas que dói de um jeito que não costumava doer nos treinos. Mas estou tranquilo. Afinal o meu adversário também é veterano. Brinco falando que é para ele tomar cuidado e não derrubar a dentadura durante a luta”, conclui o lutador.
(Taion Almeida/Diário do Pará)
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