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ESPORTE PARÁ

Times garimpam jogadores para disputar campeonato

Para quem é peladeiro profissional, o termo peneira desde cedo ganha uma conotação bem diferente da maioria das pessoas. Os testes onde os atletas são observados e avaliados por representantes de determinado time, podendo ganhar a chance de um período de

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Para quem é peladeiro profissional, o termo peneira desde cedo ganha uma conotação bem diferente da maioria das pessoas. Os testes onde os atletas são observados e avaliados por representantes de determinado time, podendo ganhar a chance de um período de testes ou um contrato, vinham se firmando, nas últimas décadas, como uma medida exclusiva para jovens, buscando talentos para as categorias de base. Mas este ano, no Pará, as peneiradas têm ressurgido como uma tendência também no futebol profissional. E a tendência é continuar assim.

Um dos fatores que têm levado os clubes a apostar nas peneiras não há segredo: as dificuldades financeiras. Sem recursos para poder contratar jogadores caros ou manter elencos por longos períodos, as peneiras ressurgiram como tendência na Segundinha do Parazão deste ano. O Vênus de Abaetetuba, um dos últimos clubes a confirmar a participação na disputa, formou boa parte do seu grupo com jogadores oriundos de peneiradas. Com os atrasos para o início da competição, praticamente todas as equipes realizaram peneiras.

Com a fase principal do Parazão se aproximando, os clubes têm organizado suas avaliações. Alguns ainda receosos em usar desse artifício para o futebol profissional. “Para o time principal não fizemos peneira, mas para a base sim. É nesse grupo que eu estou de olho”, comentou João Galvão, técnico do Águia de Marabá. Por outro lado três agremiações realizaram a peneirada – a dupla Rai Fran e o Paragominas.

RAI-FRANSANTARENOS ABREM PORTAS AOS GAROTOS

São Francisco e São Raimundo terão a temporada mais longa que os demais times do interior. Com vaga confirmada na Série D, elencos robustos e com mais opção se tornam uma necessidade e os dois clubes fizeram a aposta pelas peneiras. O primeiro foi o São Raimundo. A comissão técnica retornou a Santarém mais cedo para participar da atividade.

“Sempre pensamos em fazer essa avaliação de atletas da região. Esse ano pudemos planejar e concretizamos. É importante para revelar jogadores e também economicamente”, explicou o diretor de futebol, Sandro Lopes. Ao todo, cerca de 140 atletas, entre amadores e com passagem pelo futebol profissional, participaram da atividade. Sandro aponta ter também a finalidade de aumentar com ela a identificação com a cidade. “Temos hoje três dos quatro goleiros do elenco oriundo ou da base e de times locais”, disse.

Já o rival São Francisco realizou suas avaliações no início de janeiro. Diferente do Pantera, o Leão não fez uma peneira aberta a qualquer interessado. “Tivemos muitos jogadores indicados ou oferecidos por empresários e pessoas ligadas ao futebol. A atividade serviu para separar quem poderia ser útil para o grupo”, alegou o técnico Vitor Hugo, que acompanhou os dois treinos e o ‘jogo recreativo’ da atividade de três dias.Na ocasião, o São Francisco garimpou quatro jogadores, mas o aproveitamento acabou não sendo tão bom em seguida. Revelados nos testes, os atacantes Tiago Rangel e Pedro e o lateral-esquerdo Felipe Monte Alegre foram liberados pelo clube. O jovem Gomes, de apenas 16 anos, foi o único que permaneceu. Curiosamente outro jogador foi chamado numa espécie diferente de peneira. Após as lesões de Kiko e Diogo Silva, a direção azulina convidou o lateral-direito Jeová, que enfrentou o clube defendendo a Seleção de Belterra, para integrar o elenco.

Ainda sem base, Paragominas vê nas peneiradas uma saída

Triagem de atletas

Com uma história de apenas cinco anos no futebol profissional, o Paragominas ainda não conta com uma estrutura de categorias de base. Mas tem revelado alguns valores para o futebol regional mesmo assim. “Temos muitos garotos bons nessa região. Quando eu passei pelo clube na primeira vez, em 2013, fizemos uma peneira e aproveitamos sete jogadores no grupo profissional”, relembrou o técnico Cacaio.Os jogadores acabaram se revelando destaques no time e seguem no futebol paraense, ora defendendo o PFC, ora outras equipes.

O meia Lourinho conquistou espaço no time titular já em 2013, em um elenco que contava com atletas rodados, como Ratinho e Aleílson. O jogador terminou sendo pivô da perda de pontos que eliminou o time da Série D do Brasileiro, por fatores externos. Quando comandou o Remo na campanha do acesso à Série C em 2015, Cacaio mandou chamar outro atleta garimpado por ele, o jovem atacante Buiú.Com um elenco experiente nesta temporada, o Jacaré puxou menos atletas para o seu time profissional. “É uma oportunidade ímpar de fazer avaliação. Tivemos entre 140 a 150 garotos participando da nossa peneira. De imediato já aproveitamos um que já está no grupo e treina conosco. Mas estamos de olho em mais dois ou três jogadores. Vamos manter o contato e, dependendo de como as coisas acontecerem, podemos chamar também”, encerrou o treinador.

(Taion Almeida/Diário do Pará)

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