Os torcedores de futebol costumam associar seus atletas mais esforçados a guerreiros. Para o torcedor, o campo de futebol é um campo de batalha e o jogo, especialmente um clássico, uma guerra onde não se pode permitir que o adversário saia vitorioso jamais. O recém-chegado lateral-esquerdo do Paysandu, Willian Simões, encarna esse espírito voluntarioso. “Não é só jogar, mas vencer também! Sabemos da dificuldade que vai ser, é um clássico, um dos maiores do Brasil, tem torcedores espalhado por todo país, mas com garra e determinação vamos para a vitória”, brada o guerreiro bicolor.
Envolvido pelo espírito de luta e o furor da vitória, o grande guerreiro não se abate com as feridas sofridas em outras batalhas. “A lesão que eu tive no primeiro jogo foi uma lesão que os fisioterapeutas diziam que eu me recuperaria antes do clássico. Procurei trabalhar intensivamente. Foram duas sessões sábado, domingo, segunda... Na terça, já estava treinando com os colegas. Tudo para estar em condições de jogar o Re-Pa”, comentou Willian.
Aos 28 anos, o lateral disputou vários clássicos no futebol maranhense, paulista e cearense, onde se destacou nos embates entre Fortaleza e Ceará. O jogador diz que se sente melhor nesses jogos grandes. “Joguei e consegui a vitória, então pra mim foi o momento marcante. Eu, particularmente, gosto de jogar clássico, é uma coisa maravilhosa você subir em campo e ver a torcida do seu time fazendo aquela festa. É o jogo em que eu cresço e gosto muito de jogar”, explica o atleta.
A arma para a vitória nas batalhas mais ferinas, no entanto, não é segredo. A torcida e a energia. Um guerreiro normal, motivado, rende por um exército. “O nosso torcedor é um diferencial na arquibancada e a gente sabe que ele vai nos apoiar do começo ao fim. Se for preciso deixar gotas de sangue no gramado a gente vai deixar para conseguir essa grande vitória”, definiu Willian.
VITÓRIA
Embora veterano de outras batalhas, como um bom guerreiro, Willian buscou informações sobre essa que se desenha agora com os companheiros que há mais tempo defendem o exército bicolor. “A gente que chegou agora conversou bastante com os remanescentes. Eles falaram que é o jogo mais importante do estadual e, se bobear, do ano. É um rival que a gente vai enfrentar e não pode perder. Clássico movimenta muita coisa, inclusive fora de campo se o resultado não vier”, comenta. As preocupações com o extracampo, embora ainda seja início de temporada, tem uma razão de ser. Na quarta colocação, o Papão no momento está longe da vaga para as semifinais. Como o time de maior folha salarial do torneio, é uma situação que gera muitas críticas e cobranças. “Assim que cheguei na cidade, bem antes do jogo, já era cobrado pelo clássico. Agora então a situação é fundamental. Se vencermos subimos na tabela e nos recuperamos na classificação”, explica. Um ditado diz que guerreiros não escolhem as condições do terreno, do clima nem adversário. Eles lutam. Se jogar no gramado do Mangueirão é uma novidade para muitos atletas bicolores, Willian defende que não é um empecilho. “O time que estiver melhor preparado, em qualquer gramado, ganha,” aposta o jogador do Papão.
(Taion Almeida/Diário do Pará)
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