Há pelo menos 20 anos, quando os esportes de contato (karatê, taekwondo, boxe, entre outros) eram praticados na maioria das vezes por homens, a atleta paraense Josiane Lima, ainda com oito anos de idade, resolveu ir contra todas as perspectivas de, quem sabe, iniciar um ballet ou até mesmo arte em pintura e viver uma outra vida. Ao assistir um treino com o pai, que se matriculou em uma academia em Belém, ela viu naquele primeiro contato que poderia se apaixonar pelo esporte. E se apaixonou.
Atleta da seleção brasileira de taekwondo, Josiane, 29, mora no Rio de Janeiro há quase cinco anos e vem a Belém quando pode para matar a saudade da terrinha e visitar a família, já que, segundo a própria atleta, quando ela escolheu viver do esporte, sabia das dificuldades, das saudades e principalmente, dos desafios que ia encarar fora das competições. “Peguei várias fases e gerações desse esporte. Logo que iniciei no taekwondo, era bem mais difícil aceitarem uma mulher lutando, principalmente artes marciais. Nessa época, a procura estava começando ainda e em alguns setores a gente via uma certa discriminação. Dentro da minha casa, por exemplo, a minha mãe não queria que eu praticasse esse esporte e sim ballet, mas hoje ela é minha fã número um”, relembra Josiane, pontuando ainda o momento de transição e visibilidade da mulher dentro dos esportes de contato. “A gente sempre teve mulher no esporte, mas nos de contato sempre foi mais difícil, e eu peguei essa transição de viver os momentos difíceis e de muito preconceito. Hoje já é bem mais aceito porque o crescimento do MMA está trazendo uma visibilidade grande às lutadoras, oportunizando uma aceitação maior das pessoas em relação às atletas”, ponderou.
Josiane sentiu na pele o preconceito por ser mulher e principalmente por ser do Norte do país. Foi quando ela conquistou o respeito pela qualidade de atleta que estava se formando. Atualmente, Josiane é titular da seleção na categoria 57kg e também titular na seleção militar, mas, como quer passar para outra categoria, vai enfrentar um desafio na seletiva do Brasil em abril, para passar para a série de 53kg. “Dia 13 estou indo para a Colômbia participar do Open Internacional, que vai servir de competição-treino para o pré-seletivo que vou disputar”, diz.
Josiane finaliza a entrevista lembrando que mesmo que Belém seja referência em muitas artes marciais, ela teve que procurar refúgio em outro Estado porque precisava se qualificar. “Eu vivo do esporte, e aqui no Rio eu tenho o meu técnico, tenho pessoas fortes para treinar e um centro de treinamento, o que infelizmente não temos aí e a situação de quem realmente vive do esporte é essa, deixar a família para ir em busca de se profissionalizar, e mesmo sentindo muito a falta da minha cidade, eu preciso ser forte para continuar em busca dos meus objetivos enquanto atleta”, completa.
(K.L. Carvalho/Diário do Pará)
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