Se a velha expressão “sonho americano” hoje é questionada, dadas as agruras da realidade, talvez ainda seja a que melhor define a situação que o garoto David Brazão Cohen, 16 anos, está prestes a viver.
O atleta, do time sub-17 da Tuna, tem convites para assinar com clubes da terra do Tio Sam e realizar, ao mesmo tempo, dois sonhos. Ser jogador profissional e estudar em algumas das melhores escolas e faculdades do mundo.
“Ainda estamos conversando os detalhes, porque há a questão profissional e dos estudos. Em agosto, ele se muda pra lá”, comenta Allan, pai de Davi.
Allan explica que o convite para o futebol americano surgiu através de um primo, que trabalha no Lyon, da França.
“Eu mandava os vídeos do David pra ele e acabou chamando atenção de alguns investidores no futebol dos Estados Unidos. Havia a proposta de jogar na Europa, mas o modelo americano, mais científico e que concilia com estudos, parece mais interessante”, explicou o pai.
Enquanto não define para onde irá - há propostas de clubes profissionais e universitários -, o menino segue treinando na Tuna e deve disputar o campeonato sub-17 da temporada.
ROTINA DE ATLETA
Centroavante, posição cada vez mais rara no futebol, e artilheiro. Assim podemos definir o futebol de David.
Com 1,85m de altura, e promessa de crescer ainda mais, David foi privilegiado fisicamente. Quando começou a se destacar na bola, resolveu apostar na técnica.
Há dois anos, além dos treinos do futebol na Tuna, desenvolve treinos específicos de finalização e ataque, com o apoio de Nildo Pereira, técnico e ex-centroavante e artilheiro do Grêmio.
David explica que passou a viver uma vida de atleta muito antes de qualquer proposta.
Tem hora para acordar e dormir, a alimentação é controlada e os treinos de aperfeiçoamento ocorrem até nos feriados.
“Um técnico do sub-15 da Tuna me pediu para perder 10 quilos. Nunca fui muito pesado, mas ele queria que eu fosse mais rápido, então corri atrás disso. Caixa de areia, dieta, musculação... Perdi o peso durante a competição e virei titular”, explica o garoto.
A preparação específica começou a dar frutos. No futebol da Assembleia Paraense, jogou, com apenas 15 anos, os torneios sub-17, sub-20 e sub-23. Foi artilheiro do sub-17 (mesmo jogando só metade dos jogos) e eleito a revelação do sub-20.
“Tivemos um jogo em que empatamos em 6x6 e eu marquei 5 gols! Contra os atletas mais velhos também não me intimidava de chegar forte. Se a pessoa quer ser jogador, não dá pra se intimidar”, explica David.
PÉS NO CHÃO
Mesmo com a facilidade de acompanhar o futebol do mundo inteiro, David ainda tem as referências mais próximas como as mais fortes. Seus atletas referência são o próprio pai e Nildo.
“Não vi eles jogarem, mas por tudo que me ensinaram são meu espelho”. Para o futuro, ele prefere ser modesto. “Meu sonho mesmo é ser um jogador profissional. Se de uma grande liga ou um patamar menor, pra mim não importa. O futebol é felicidade e viver dele é o que me motiva”, diz David.
(Taion Almeida/Diário do Pará)
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