Após o vexame em Macapá, quando perdeu a partida e a vaga na semifinal da Copa Verde para o Santos-AP, além da recepção nada amistosa da torcida no aeroporto de Belém, os jogadores e a comissão técnica do Clube do Remo se reuniram com a direção azulina. O encontrou foi para que fossem feitas cobranças e, principalmente, dadas explicações sobre o que ocorreu contra o Peixe, já que o Leão fez uma de suas piores partidas dos últimos anos. Além da dor da eliminação, os azulinos sentiram no bolso, já que vão deixar de faturar uma boa grana.
O diretor de futebol do Clube do Remo, Marco Antônio Pina, conta que o encontro foi bastante tenso. Segundo o dirigente, somente o capitão Henrique pediu desculpas pela desclassificação na Copa Verde. “Foi uma derrota vergonhosa, pífia. Foi motivo de cobrança. O Remo não aceita a forma como a equipe jogou, ou melhor, deixou de jogar”, destaca. “Não é problema de salário atrasado, nem de relacionamento. O ambiente é o melhor. Temos feito o melhor possível. Só pode ter sido relaxamento, sapato alto”, analisa o diretor.
SEM COPA, SEM GRANA
O mandatário ressalta que os azulinos tinham a Copa Verde como um dos objetivos para este primeiro semestre, sobretudo pela premiação em dinheiro. “O prejuízo não é só este ano, também é ano que vem. Já entraríamos nas oitavas-de-final da Copa do Brasil, fora a cota de participação, mais a renda do jogo, prejuízo estimado em R$ 1 milhão”, afirma Pina. “Pensávamos em fazer dois clássicos. Seriam boas rendas”, completa.
ATRASOS GERAM REVOLTA
A insatisfação no Clube do Remo também atinge os demais funcionários da sede social, não apenas pelo futebol ruim jogado em Macapá. De acordo com denúncias de um trabalhador azulino, que pede anonimato por razões óbvias, o Leão deve a folha salarial de novembro passado, pagou de atrasado somente o mês de dezembro e janeiro e quitou, para alguns, o mês de fevereiro deste ano, enquanto a folha de março também já deveria estar sendo liquidada.
A revolta maior é que o mês de fevereiro teria sido pago, na última sexta-feira (31), para alguns poucos que ouviram boatos de que o valor estava sendo entregue na sede social. “Só alguns funcionários ouviram falar, chegaram lá e conseguiram receber. Quem chegou depois, foi informado que não tinha mais dinheiro pra quitar o restante”, lamenta o funcionário. “Tem funcionários passando fome, com até 15 anos de casa nessa situação”, completa o servidor azulino. A folha salarial do Remo gira em torno de R$ 300 mil. Ontem, foram feitos mais pagamentos, mas os funcionários da sede social afirmam que ainda não foram contemplados.
OUTRO LADO
Sobre as denúncias, o vice-presidente do Clube do Remo, Ricardo Ribeiro, garante que são “falsas”. “Está tudo em dia. Tudo pago. Agora vai acontecer isso direto, vai virar um inferno”, afirma o mandatário.
Segundo Ribeiro, o Leão iniciou a temporada com seis meses de salários atrasados de 2016 e veio pagando tudo este ano. Além disso, o clube sofre com as dívidas na justiça trabalhista decorrentes deste atraso no vencimento de atletas e funcionários.
CONTRAPONTO
Vale lembrar que, por ter aderido ao Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut), o Remo não pode atrasar os salários de ninguém, correndo o risco de sair do programa, além de sofrer outras punições ainda mais severas.
(Café Pinheiro/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar