Há muitos ditados no mundo de futebol referentes à posição de goleiro como “é uma profissão tão maldita, que onde ele pisa não nasce grama”. Mas pelo atual momento de Emerson, do Paysandu, e André Luis, do Clube do Remo, pode ser usado outro ditado “um bom time começa por um bom goleiro”. Nesta última semana, mais precisamente no dia 26, foi comemorado o dia do goleiro, mas as torcidas de Leão e Papão é que, realmente, têm o que comemorar. Neste domingo de Re-Pa decisivo, que vale o título do Campeonato Paraense, nada melhor que um duelo de dois paredões.
Emerson tem 34 anos e está na sua terceira temporada com a camisa bicolor. Ele confessa que a profissão de goleiro não é uma das mais fáceis, mas, apesar das dificuldades, tem os seus benefícios. “A dificuldade da profissão é que não tem valor nenhum. Nunca foi valorizada. Mas ser goleiro não é para qualquer um. É trabalhar em grupo, mas sabendo que você é só”, afirma. “Isso nos deixa mais responsáveis e nos faz amadurecer mais rápido. O prazer de ser goleiro é o de ser diferente, porque você pode ser diferente e fazer a diferença”, ressalta o arqueiro.
Novato no Baenão
Já André Luis, chegou ao Leão este ano e já vem ganhando o carinho do torcedor azulino, com grandes defesas, que salvaram os remistas em momentos cruciais. André conta que uma das melhores partes de ser goleiro é toda essa emoção. “É uma profissão muito gostosa, cheia de desafios. Falhas podem acontecer, mas temos de sempre tentar manter o equilíbrio para passarmos por cima de qualquer adversidade”, conta. Não tem emoção maior do que fazer grandes defesas e a torcida gritar seu nome”, diz. “Aqui, no Clube do Remo, a nossa Nação Azulina está sempre nos apoiando e nos incentivando”, completa.
Experiência
Veterano x novato
Emerson está na terceira temporada no Paysandu, enquanto André Luis chegou este ano para integrar a equipe do Clube do Remo.
Controle e dedicação. Receitas para o jogo
Se o Paysandu tem uma unanimidade, ela se chama Emerson. Desde 2015 vestindo a camisa do Lobo, o arqueiro se tornou um ídolo da Fiel, ultrapassando a marca de 100 jogos pelo Papão. O jogador teve uma temporada excelente no ano passado. O goleiro foi campeão paraense, da Copa Verde e ainda bateu um recorde de minutos sem levar gol.
Neste ano, o paredão segue em grande fase no gol do Paysandu, sendo fundamental na campanha da equipe que está nas finais do Parazão e da Copa Verde pelo segundo ano seguido.
Emerson já jogou 10 clássicos e espera vencer o primeiro nesta temporada. Se os dois primeiros jogos contra o Remo já foram emocionantes, esse promete ser muito mais, já que é uma final de campeonato. “Agora é um Clássico Re-pa valendo título e, com certeza, vai ser um jogo muito pegado e bem aberto”, destaca.
Com toda a sua experiência e rodagem no futebol, Emerson destaca que é preciso estar bastante ligado para sair de campo com a vitória. “Não tem uma preparação específica para um clássico, tem muita dedicação e concentração”, comenta.
Com vários jogos contra o maior rival na carreira, o jogador lembra do clássico do ano passado, como um dos mais marcantes. “Uma defesa em um chute do Marco Goiano. Foi um lance muito bonito e difícil, e que vai ficar marcado na minha memória”, ressalta o camisa 1.
Arco azulino
Nos últimos anos, o Clube do Remo vinha procurando um bom goleiro para assumir a camisa 1 da equipe. Depois de muitos que não deram certo, André Luis e Vinícius foram contratados. Sendo que Vinícius chegou com as credencias de ser o titular, porém o jogador se lesinou. Foi então que André Luis foi para a meta e não saiu mais.
Indo para o seu terceiro Re-Pa e vindo com uma sequência de atuações, o arqueiro espera mais uma grande festa hoje à tarde. “Vai ser um espetáculo, um jogo que vai parar o Estado inteiro. Esperamos fazer um grande jogo e fazer história no Clube do Remo, pois essa torcida merece muito”, afirma. A preparação de um goleiro, no dia a dia sempre é muito pesada, André conta que para um clássico não é muito diferente. Porém, ele ressalta que a preparação psicológica é fundamental.
“Em um clássico a atenção tem de ser redobrada, o nível de concentração tem de ser altíssimo e também estar sempre orientando ali atrás, pois estamos vendo o jogo de frente”, conta André Luis. Hoje, no Mangueirão, tendo mais uma vez o Paysandu a sua frente, o camisa 1 quer continuar com boas atuações, para seguir escrevendo a sua história no Clássico Rei da Amazônia. “Meu momento mais marcante no Re-Pa, que vou levar pra minha vida toda, foi o pênalti que peguei. Era um momento crucial da partida, estava empatado o jogo, e consegui fazer uma ligação direta com o ataque, onde saiu o gol da vitória”, lembra.
Perfil dos paredões
Goleiro do Papão
Emerson José da Conceiçãol Idade: 34 anosl Altura: 1,87m
Peso: 83kg
Destro
Ídolos: Casillas, Marcos e Jefferson.
“Atletas que fazem a diferença em seus clubes. Na atualidade, o mais próximo é o Jefferson, do botafogo. Eles têm muita personalidade, tanto dentro e fora de campo”
17 jogos – 9 gols sofridos
Em 2016, foram 11 jogos sem sofrer gols ou 1108 minutos.
7 jogos sem sofrer gols, em 2017
Goleiro do Leão
André Luis Gomes da Fonseca
Idade: 28 anos
Altura: 1,89m
Peso: 87Kgl
Ídolo: Júlio César
“Meu ídolo sempre foi o Júlio Cesar, goleiro da minha estatura, canhoto também. Ele é muito rápido, foi o goleiro que vi jogar e o que me inspiro”
14 partidas – 14 gols sofridos
3 jogos sem sofrer gol, em 2017
Pênaltis defendidos: 2 em 3 cobranças.
(Café Pinheiro/Diário do Pará)
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