Filhos de pai tunante e mãe bicolor, João Paulo e Paulo Augusto de Araújo Squires, são irmãos gêmeos. Cresceram bem amigos, uma relação que tem no respeito e no amor os seus alicerces. Não são só parecidos na fisionomia, já que até na formação os irmãos seguiram no mesmo caminho - ambos são designers de produtos. Mas toda regra tem a sua exceção. E, neste domingo, na decisão do Estadual, apesar da semelhança, os irmãos, que completam 30 anos justamente hoje, vão seguir lados opostos em uma das poucas coisas que os separam: os times de coração.
João Paulo é torcedor fanático do Clube do Remo, e Paulo Augusto é apaixonado pelo Paysandu. “A rivalidade é sadia. Apesar do nosso sentimento pelos clubes, nada afeta nossa relação, que é a melhor possível, apesar do mau gosto do meu irmão”, comenta, em tom de descontração, o azulino João Paulo. “Até hoje nossos amigos ainda não conseguem entender esse nosso gosto, principalmente por sermos tão parecidos e, ao mesmo tempo, diferentes. Mas esse problema pode ser resolvido, assim que o João mudar de lado, aí fica tudo igual de novo”, rebate o bicolor Paulo Augusto.
Apesar da rivalidade, os gêmeos ressaltam que essa disputa fica apenas dentro de campo. “Antes de sermos torcedores, somos irmãos, somos amigos. Acho que por isso nosso gosto acaba sendo tranquilo, pela nossa cumplicidade desde sempre”, diz João. “As discussões são coisas de momentos, já a nossa amizade é eterna”, comenta Paulo Augusto.
(Foto: Ricardo Amanajás)
"Nossos amigos ainda não conseguem entender esse nosso gosto. Mas esse problema pode ser resolvido, assim que o João mudar de lado"
Paulo Augusto, torcedor bicolor
"Nada afeta nossa relação, que é a melhor possível, apesar do mau gosto do meu irmão", João Paulo, torcedor azulino
RESPEITO
De acordo com o pai dos gêmeos, Raimundo Squires, que ajudou a moldar o interesse esportivo dos filhos, revela que o gosto distinto dos irmãos começou cedo, mas que, ao lado da esposa, Sonia Squires, nunca influenciou os filhos na hora da escolha dos times. “Desde muito cedo incentivei eles ao esporte. A partir daí, eles tomaram gosto pelo futebol e logo escolheram os times para torcer”, explica. “Eles, ao lado do irmão mais velho, independente da escolha, se respeitam muito, e isso é o que mais importa”, destaca o patriarca da família.
PALPITES
Apesar da cordialidade, os irmãos são secos na hora de definir o placar. “2 a 1 pro Leão”, comentou o irmão azulino. “3 a 0 pro Papão”, disse, por sua vez, o irmão bicolor.
(Matheus Miranda/Diário do Pará)
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