Embora o fenômeno das redes sociais na internet seja relativamente novo, e mudanças ocorram frequentemente, já há uma grande gama de estudos sobre o tema. A consultora de Marketing Digital Aline Freitas, 28, além de trabalhar diretamente com as redes, estudou e se aprofundou no tema em sua monografia de mestrado em Comunicação Social, que tratava dos laços de afetos da torcida do Remo com o clube através de processos socioculturais comunicativos.
Aline afirma que, antes de mais nada, é preciso entender que não há mais diferenciação do mundo online e offline. “As pessoas hoje assistem jogos de futebol com o smartphone na mão para comentar e correm pras redes assim que ele acaba”, ela cita. Dentro dessa dinâmica, as redes sociais ocupam o espaço que, em um momento anterior, a mesa de bar, praças e outros espaços públicos ocupavam. “As comunidades são espaços públicos, para que as pessoas expressem o que sentem em suas vidas. Por trás de cada smartphone e desktop, há pessoas reais, que se indignam e se emocionam”, comenta.
A pesquisadora aponta ainda que as redes sociais permitem que o torcedor saia da passividade, de apenas reclamar e se articule para agir. Ela vê o protesto da torcida, excessos à parte, como manifestação legítima. Destaca ainda que as redes de torcedores do Remo desempenham muitas vezes papel construtivo na realidade do clube.
“As comunidades do Remo são extremamente ativas. É importante lembrar que é através delas que o torcedor oferece carona amiga, para quem não tem carro ir ao jogo. Através delas, o torcedor já fez vaquinha para pagar os funcionários, numa época que o clube não pagava. É através dela que surgiu o projeto Bandeirão, que fez a maior bandeira do mundo no Remo”, enumera.
Aline define que as redes sociais não são boas ou más na essência, mas que são, na verdade, uma ferramenta útil, tendo delas partido várias campanhas para lotar estádios e jogos. “E também um termômetro que ajuda a medir a fase que o clube passa. Que no momento, é muito ruim”, avalia a consultora.
(Taion Almeida/Diário do Pará)
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