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ESPORTE PARÁ

Pará é celeiro de jovens talentos

Pensar em um futuro dentro do esporte, sonhar com medalhas, títulos, competições a nível mundial, dedicar a vida, abrir mão da adolescência e juventude... não é tarefa fácil! As jovens promessas começam cedo. Mesmo sendo um desafio, o Pará tem revelado mu

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Pensar em um futuro dentro do esporte, sonhar com medalhas, títulos, competições a nível mundial, dedicar a vida, abrir mão da adolescência e juventude... não é tarefa fácil! As jovens promessas começam cedo. Mesmo sendo um desafio, o Pará tem revelado muitos atletas para o restante do Brasil, como o meia Valdemir Soares, de Tailândia, que está no futebol do Internacional-RS.

“O Pará, nos últimos anos, tem sido um celeiro de atletas que, por falta de estrutura e valorização da base nos clubes, por exemplo, procuram outros centros pra suas formações. De 2014 pra cá, inúmeros atletas foram atrás dos seus sonhos e estão conseguindo. É o caso dos garotos Diogo, Lucas Bessa, Valdemir Soares, Thalyson, entre outros , que hoje são destaques e grandes promessas do futebol nacional, só que não atuam no futebol paraense”, avalia o diretor das seleções paraenses de futsal, Davi Leal.

As jovens promessas do esporte muitas vezes se dividem entre os estudos, a vida no trabalho e uma peneirada em um campo da periferia da cidade em época de competições de futebol, por exemplo. Às vezes, o atleta sonha alto e voa até outra cidade, é o caso do volante Thallyson, do Sport Clube Recife que, após ser visto em Belém, decidiu ir ainda adolescente para o Sport.

“Não só ele, mas também Lucas Bessa, 20, que após brilhante passagem pelas quadras de Belém teve sua primeira oportunidade no Vasco da Gama, logo aos 13 anos. O talento dele despertou interesse em outros clubes e hoje Bessa está no Criciúma-SC”, frisou Davi, que lamenta a falta de investimento nas bases dos clubes.

VALORIZAÇÃO

“É preciso que os clubes paraenses repensarem suas ideias sobre a base e fazer uma gestão séria de valorização desses jovens talentos que despontam e, infelizmente, por falta de oportunidade, migram pra outros estados. Precisamos dar suporte a eles, pois o Pará é considerado um celeiro de craques. O que falta é o investimento”, diz Davi.

André é bom no Badminton

Foi através de uma aula de educação física, há três anos, que ele conheceu o esporte. André Bernal, hoje com 16 anos, tem medalhas de ouro, prata e bronze em competições de badminton, que ele guarda como relíquias. Esse esporte, pouco conhecido e praticado em Belém, atraiu o adolescente graças a dedicação de um dos professores do atleta, Paulo Almeida, e ao apoio da mãe do estudante do segundo ano do Ensino Médio, Nágila Bernal.

A inspiração do jovem atleta não poderia ser menos do que um campeão do mundo, Lee Chong Wei, da Malásia, que é um dos maiores jogadores de badminton dos últimos tempos e, como o André, quer seguir os mesmos passos do ídolo. André se divide entre os treinos e a escola e, como um bom esportista, os projetos para o futuro já envolvem o que ele mais ama fazer. “Pretendo ser professor de educação física para elevar o esporte no Pará, com as experiências que eu for adquirindo nas competições. Quero colocar o meu Estado em patamar mais alto”, planeja.

Assim como centenas de esportistas, André Bernal também precisa de apoio para sair do Estado e representar o Pará em competições nacionais. “Vou para os Jogos Escolares da Juventude representar o meu Estado, mas existem outras competições. São tantos atletas com futuro, mas sem apoio. O professor responsável pelo projeto arca com todos as despesas como: peteca, rede, raquete e tênis, além do Banco da Amazônia que é um dos grandes responsáveis pela minha permanência no esporte”, pontua o jovem atleta.

Larissa Oliveira quer ir aos Jogos Paralímpicos

Ela tem como inspiração, o judoca paralímpico Antônio Tenório, e desde os 12 anos, quando iniciou no esporte, sonha em participar de uma Paralimpíada. Futura atleta da seleção brasileira de judô para cegos, Larissa Oliveira, 18, tem força de vontade. A rotina pesada entre a escola e o treino não a desanimam.
Na verdade, o que desanima Larissa são as dificuldades financeiras de seguir até uma competição. Muitas vezes, sem o patrocínio, a atleta e o treinador recorrem a várias alternativas para subir ao pódio.

Mesmo nova, o currículo de Larissa é tão extenso que na hora de contabilizar os títulos, medalhas e troféus fica difícil. “No primeiro ano que competi consegui ser campeã nos Jogos Escolares que ocorreu em São Paulo, e assim a gente segue nas competições, sempre tentando representar o Estado”, ressalta a atleta.

“É um convívio diferente. Quando estamos no tatame, ali todo mundo é igual. Depois que passei a competir, passei a viajar mais, e a única coisa que realmente é complicado é conciliar os estudos. Já que se eu me dedico muito nos treinos, posso falhar no estudos, e se me dedico muito nos estudos, posso falhar nos treinos. É preciso força”, avalia a judoca.

Larissa faz o último ano do Ensino Médio e quer prestar vestibular pra o curso de direito, mas o maior sonho dela é chegar na Paraliampíada de 2020. “Todo atleta tem esse sonho de chegar em uma olímpiada ou paraliampíada e comigo não é diferente”.

Lucas Tuma tem 15 anos, coleciona conquistas e atualmente está na Desportiva (Foto: Mauro Ângelo)

Bom de bola no salão e grama

Mesmo tão novo, Lucas Tuma, 15, já carrega no currículo a artilharia com 50 gols de uma competição de futebol de quando ainda era do time do sub 11 do Remo. Tanto destaque não poderia render menos do que o convite para fazer parte do time do Sport Recife. Tuma aceitou, e o orgulho de ver o filho ir tão longe faz o motorista José Caetano contabilizar as vezes que o atleta estudou em escolas particulares como bolsista, por causa do talento dentro do futebol. Aliás, foi no futsal que tudo começou, mas há dois anos, o meia atacante decidiu que o futuro poderia estar nos gramados.

“Depois que ele passou para o futebol de campo, foi chamado para o Criciúma, onde ficou por seis meses, e só retornou por conta de uma lesão. Desde o começo, as pessoas já falavam do talento dele para jogar, agora é um trabalho demorado. Às vezes dá certo e às vezes não dá. Toda a família apoia, já que é o que ele quer”, comenta o pai de Tuma, lembrando ainda que o atleta só não pode relaxar nos estudos.

NA DESPORTIVA

Atualmente, Tuma, que recebeu o convite diretamente do técnico Matheus Lima, está jogando na Desportiva, e tem como maior inspiração no futebol Lionel Messi e Lucas Lima, além do próprio pai. “Meu pai sempre me ajudou muito. Faz de tudo para eu manter a minha rotina de treinos e estudos. Um dia quero retribuir tudo a ele”, declarou o atleta, que sonha em fazer parte de um grande clube. “Essa é uma das maiores dificuldades, mas trabalho dia após dia para conseguir isso”, garante o atleta promissor

CONQUISTAS

Larissa Oliveira - Judô para Cegos

2012 - 1° competição em São Paulo nos Jogos Escolares – campeã
2014 Jogos Escolares - duas pratas
2015 Grand Prix em Porto Alegre - ouro
2015 Jogos Escolares em Natal - 2 pratas
2016 Jogos Escolares em São Paulo - prata e bronze

André Bernal - Badminton

Campeão estadual
6 medalhas de ouro – sendo 1 da Federação Paraense de Desporto Escolar
2 torneios Sogima – 1 de ouro, 1 no individual e 1 em dupla
1 medalha de ouro em Ananindeua nos JEPs
1 ouro em escola no Distrito Industrial
1 prata no Norte/Nordeste – Dupla
1 bronze no Norte/Nordeste
1 bronze em dupla na AABB

Lucas Tuma - Futsal/futebol

Campeão sub-9 de futsal – Esmac
Campeão sub-11 pelo Remo – artilheiro com 50 gols – 2013
Campeão da copa Sesi sub-13
Atleta do futuro Copa Sesi/2013

(K.L. Carvalho/Diário do Pará)

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