Em maio deste ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fez um levantamento sobre a taxa de sedentarismo no país. Segundo o levantamento, quase 58% da população não praticava nenhum tipo de esporte ou atividade física. Do percentual, a maioria dos perfis era de jovens entre 15 e 17 anos. Indo na contramão das estatísticas, Afonso Cappai de Castro, atleta amador de 73 anos, busca ser uma inspiração dentre os mais novos na busca pela qualidade de vida e, de acordo com o próprio, nada melhor que dar a volta ao mundo, correndo, como melhor exemplo de superação.
Há 12 anos, Afonso idealizou o Linha do Equador Virtual (LEV), projeto que tem como objetivo percorrer os mais de 40 mil km que ligam o globo terrestre de ponta a ponta, pela linha imaginária que divide os dois polos da Terra. A quilometragem é contabilizada apenas dentro do Brasil e, após mais de uma década, no dia 15 de novembro de 2018, o corredor pretende finalizar os últimos 2 mil km, em Macapá (AP), local onde a linha se faz presente na divisão dos hemisférios no país.
Para o corredor, atingir a meta vai além de uma simples conquista pessoal. “Em 1979, comecei a correr. Praticava porque gostava da atividade física. Só que foi em 2005 que decidi dar a volta ao mundo correndo. É algo que me move como ser humano, porque me permiti viver. Mas o fato de servir como exemplo para outras pessoas, principalmente para os jovens, torna o projeto mais importante, porque demonstra que todos somos capazes de realizar o nosso sonho, independentemente das dificuldades”, avaliou Afonso.
Por meio do LEV, Afonso rodou por todos os quatro cantos do Brasil. Em Belém, por exemplo, o atleta atuou mais de 20 vezes. Apesar de o corredor concluir o seu objetivo apenas em 2018, uma maratona é suficiente para bater a meta. Sendo assim, Afonso pretende se preparar durante todo o próximo ano para encerrar com chave de ouro. “Treino três vezes por semana. Corro cerca de 2.400 km. Vou preparar, porque essa vai ser uma grande prova no Amapá. Meu objetivo é concluir, mas quem sabe entre os primeiros? Por isso irei me preparar mais do que já venho para fazer uma boa competição”, adiantou.
Atleta amador de 73 anos vai concluir, ano que vem, projeto que tem como objetivo correr o equivalente a uma volta ao mundo (Foto: Roberto Benatti)
Longevidade e qualidade de vida
Além de atleta amador, Afonso Cappai de Castro é palestrante motivacional e escritor. Dessa forma, como alguém que literalmente vive das práticas físicas, Afonso reiterou a importância das atividades fisiológicas para o bem-estar. Se dando como exemplo, o corredor destacou que, apesar da idade avançada, vive tão bem quanto um garoto de 20 anos. “O projeto de dar a volta ao mundo mexeu de todas as formas com o meu mundo. Me permitiu ser outra pessoa. Tenho três netos crianças e pretendo viver muito com eles, e a atividade física vem me ajudando na qualidade de vida e, principalmente, na longevidade” comentou.
Por isso, além da força de vontade, Afonso destacou três fatores essenciais para a realização de objetivo. “Tudo que fazemos com excelência, traz resultados. E o que me permite poder dar a volta ao mundo pela Linha do Equador é algo que defino como uma tríade: alimentação, sono e movimentação. E isso é o que mais destaco para os jovens e para quem pretende mudar dar uma repaginada na vida: nada é impossível até ser feito”, explicou Afonso.
SAIBA MAIS
- O Linha do Equador Virtual é um projeto idealizado pelo corredor Afonso Cappai de Castro, atualmente com 73 anos, que tem como objetivo dar a volta ao mundo dentro do Brasil, percorrendo a mesma quilometragem da linha imaginária de ponta a ponta no globo terrestre. Afonso iniciou com o projeto em 2015, mas corre desde 1979.
- Linha do Equador: 40.075 km.
- 38.075 foram os quilômetros percorridos por Afonso Cappai.
- 2.000 quilômetros restam para a meta.
- 15 de novembro de 2018 é a data programada para o objetivo.
(Matheus Miranda/Diário do Pará)
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