A Copa São Paulo de Futebol Júnior é, para milhares de jovens, principalmente os que moram longe dos grandes centros que se dizem celeiros de talentos do futebol, a maior chance de provar que têm qualidade para conquistar uma vaga no time profissional ou até mesmo fora do país. A motivação dos clubes vai do título à vontade de fazer grandes negócios, com as vendas dos destaques.
O técnico Matheus Lima, da Desportiva, conta que a ida para essa competição é a realização dos sonhos e projetos tanto do clube como da garotada da base. “A principal importância da Desportiva é revelar jogador. Aqui a gente não trabalha para ganhar campeonato, até porque o fundo de garantia do nosso clube é a venda de jogadores, que é o que paga os funcionários daqui”, pontuou o comandante, ressaltando ainda que existem outras motivações. “Também é um sonho muito grande da comissão técnica de revelar os atletas e também fazer parte do sonho deles. É ver eles brilhando lá na frente, dando o sustento da família deles”, frisou.
Para o diretor da base do Clube do Remo, Paulinho Araújo, uma das principais motivações do clube na competição é mostrar o trabalho realizado na base azulina. “A competição é vitrine, e vamos mostrar o nosso trabalho, em que os nossos atletas vão ser vistos por empresários do mundo todo, que estão lá nessa época do ano, além da possibilidade de fazermos bons negócios com venda de atletas”, ressaltou o dirigente.
Já a principal motivação do Paysandu nessa competição é a realização de intercâmbio. O responsável pela base, Aílton Costa, explica que é importante colocar os meninos na vitrine, contudo, mais importante ainda é atualizar a garotada sobre o futebol do Sul e Sudeste. “O nosso futebol aqui no Norte fica defasado muitas vezes e, quando a gente leva essa garotada para esse tipo de competição, a gente aprende muito com o trabalho dos outros clubes”, ressaltou o diretor, frisando ainda que o objetivo maior dos bicolores é primeiro preparar os meninos na base para depois pensar em negociar para fora. “Alguns clubes negociam logo os meninos porque são clubes formadores e a gente não. Nosso objetivo é preparar os atletas que têm qualidade para eles chegarem ao profissional, onde, lá sim, eles estarão mais valorizados”, ressaltou.
(K.L. Carvalho/Diário do Pará)
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