Nesse Dia dos Pais, o Bola foi atrás de algumas histórias, em Belém, de pais que vivem junto com os filhos a prática do esporte. Tem também os pais que são pura inspiração para filhos que anseiam por seguir a mesma profissão.
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Os benefícios dentro do esporte são inúmeros, mas associados ao apoio paternal fazem cada vez mais atletas crescerem e se destacarem no cenário esportivo, por isso, o cuidado e proteção dentro de casa se estendem aos ginásios, arenas e estádios e fazem dos atletas grandes vencedores.
FILHO DE TREINADOR...
Não basta ter o mesmo gosto musical, torcer pelo mesmo time de futebol ou até mesmo ter os nomes iguais. Se espelhar e querer se sentir parecido no jeito de falar, de se vestir e ainda seguir com a profissão do pai, sendo o braço direito dele, é o sonho de muitos filhos, que não se limitam para agradar o “coroa”.
Esse é o caso do auxiliar técnico de futebol Sinomar Junior, que encontrou no pai mais do que um herói que cuida e protege a família, mas também um ser humano que inspira o melhor nos filhos. Por isso, Junior escolheu a mesma profissão que levou Sinomar Naves a dias de glorias no comando de times da capital e do interior.
Sinomar Naves é educador físico e técnico de futebol, e o filho também se formou em educação física e, por consequência da rotina do pai, imersa no futebol, Junior seguiu os mesmos passos e na primeira oportunidade, durante a conquista do título inédito de um time do interior, o Independente, no estadual de 2011, passou a ajudar o pai como ‘olheiro’ em Belém, enquanto Sinomar treinava a equipe em Tucuruí.
“Eu estava terminando a faculdade de educação física aqui em Belém, quando comecei a frequentar os treinos de Remo e Paysandu, como espião, e repassar todas as informações para o meu pai. Foi aí que tudo começou”, relembra.
Pai de três filhos e autor dos títulos estaduais inéditos sob o comando do Independente Tucuruí e Cametá, Sinomar Naves revela que não queria que os filhos seguissem a mesma profissão que ele. “Mas não teve jeito. Uma das filhas é advogada, mas ainda assim apaixonada por futebol que nem o resto da família. Os outros dois, a Samira e o Junior, seguiram com a minha profissão e quando vi, ele já estava trabalhando comigo”, diz o técnico.
RELAÇÃO
“Me sinto orgulhoso não só por ter o filho, mas um grande profissional trabalhando ao meu lado. A exigência tem o mesmo nível de qualquer outro profissional”, ressalta Naves.
Junior descreve a relação em ambientes diferentes com orgulho do pai, que é referência diária para ele. “Administrar a relação não é fácil, porque muita das vezes nossas opiniões se divergem, mas é por isso que temos sucesso na carreira, porque no final a gente procura o melhor para a equipe. Não é fácil carregar o nome e sobrenome de pessoa que conquistou títulos inéditos aqui no Pará, com Independente e Cametá, que ate hoje ninguém conseguiu, e a cobrança sempre vai existir e muita das vezes de forma redobrada”, pondera.
“Ele é um exemplo de pai não só para mim, mas para as minhas irmãs também. É uma pessoa de caráter. Agradeço pela educação que ele me deu e espero quando tiver um filho, eu consiga proporcionar tudo o que meu pai proporcionou”, declara Junior ao pai.
SER PAI... É ‘PAITROCINAR’ A FILHA AMADA E SE REALIZAR

Roberto Veloso é só carinho com a filha Adria, que mostra um futuro promissor na natação graças ao apoio dele (Foto: Pedro Guerreiro)
Com o olhar atento a cada braçada na piscina e em cada atividade cumprida, seu Roberto Veloso, 65, esboçava um sorriso tímido, mas de orgulho da filha Adria Viana que, aos 10 anos de idade, acumula mais de 100 medalhas em competições na natação. Nadadora da equipe principal da Tuna Luso, pratica o esporte desde os cinco anos de idade, quando o pai percebeu que esse seria esporte da vida dela.
“Quando íamos para as piscinas ou praias, abria a porta e ela já corria em direção, sem ter noção do perigo, e me veio como opção colocar ela para nadar”, explica Roberto, que também já foi um apaixonado pela natação, mas hoje, se dedica em realizar os sonhos de Adria.
“Se não fosse todo esse apoio, eu não estaria aqui”, comentou Adria, que em seguida pediu licença à nossa equipe e foi se preparar para o treino. Enquanto separava o material, chamou o pai para ajudá-la a colocar a touca e, em seguida, o abraçou.
“Quando ela foi transferida para a equipe oficial, aos 6 anos de idade, e passou a fazer parte da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos. Isso é um orgulho muito grande para a nossa família que vê o desempenho diário dela”, ressaltou Roberto.
Atualmente, Adria se prepara para o Norte-Nordeste, que será em Salvador, em outubro deste ano, e busca patrocínio. “Aqui eu me sinto um ‘paitrocinador’ e vou mesmo atrás de ajuda para conseguir realizar os sonhos dela dentro do esporte. É gratificante, porque nunca imaginei que ela ia chegar aonde chegou e sei que ainda tem muita coisa para acontecer na vida dela. Quem sabe uma convocação para as Olimpíadas?”, anseia o pai.
“Meu pai é tudo para mim. Minha inspiração, minha vida e tudo que eu preciso. por isso agradeço muito todo o apoio”, diz a filha.
TEM CARINHO9 TAMBÉM NO TATAME

André Lobato recebe um “golpe” de amor dos filhos Andrezza e Alisson (Foto: Wagner Santana)
Um trio que divide a vida em casa e no tatame da Associação Maynard. Assim é a família Lobato, que pratica judô sob o legado do pai, o engenheiro André Lobato, que tem o esporte como uma prática de vida saudável desde a adolescência e incentivou os filhos a viverem da mesma forma. O mais velho, o engenheiro Alisson Lobato, 31, teve o primeiro contato com o tatame com apenas sete anos, e passou por todas as fases, onde hoje, além de ser faixa preta acumula a arbitragem do judô na prática do esporte.
“Não entrei no judô por uma imposição e sim porque eu sempre gostei e nisso meu pai sempre treinava comigo, mas com o tempo ele precisou parar de treinar por outras questões”, relembra Alisson, interrompido pelo pai que explica por que precisou pausar a vida no esporte. “Quando o Alisson entrou para praticar o judô, chegou um momento que eu precisava trabalhar mais, para poder sustentar a minha família e conseguir bancar cada vez mais o esporte para ele e, por isso, precisei parar de treinar, mas alguns anos depois pude voltar”, explica André.
Doze anos mais nova que André, Andrezza Lobato, 19, só se interessou pela arte marcial aos 16 anos, quando presenciou um treino do pai e optou por experimentar o judô. “Desde pequena meus pais me colocaram em atividades esportivas e sempre me interessei pela luta, mas por incentivo dele passei a treinar e me empolguei, passando inclusive a participar de competições”, relembra a estudante, ressaltando um episódio importante na relação com o pai dentro do esporte que ambos praticam.
“Sempre quando os atletas saem para competir no interior eles ficam em escolas, dormem em colchonetes, se alimentam muitas vezes mal. E uma vez precisei ir para uma competição dessas e o meu pai tirou dinheiro do bolso para pagar hotel e uma alimentação melhor, e isso fica marcado, porque ele sempre está buscando dar o conforto e proteção necessária”, conta Andrezza.
André acumula medalhas no judô, assim como os dois filhos, mas ele conta que a maior conquista dele foi conseguir criar os filhos e vê-los envolvidos com o esporte. “Eu precisei parar o esporte por várias vezes, por isso, só agora vou conseguir realizar o exame de faixa preta, mas quando eu olho para eles assim, confirmo que tudo valeu a pena”, frisou.
RECONHECIMENTO
“Hoje, reconheço todo o esforço e toda a força que o meu pai precisou ter para nos criar. Força essa que me fez crescer como pessoa e fez eu perceber que sou capaz de realizar todos os meus sonhos. E no judô pude sentir na pele que eu posso cair, me bater, chorar, mas que, acima de tudo, posso levantar e que meu pai estará lá para me fazer caminhar”, considera Andrezza.
O filho Alisson faz coro. “Meus sentimentos pelo meu pai são de amor e gratidão. Sempre me apoia e me dá forças para seguir o caminho correto. E tudo que conquistei até hoje, pode até não ser muita coisa, mas teve a ajuda ou a influência dele”, assegura.
(K.L. Carvalho/Diário do Pará)
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