A cesta mais valiosa
O esporte pode fazer a diferença, muito além do discurso vazio e sem consequências práticas. Ao contrário de astros do futebol no Brasil, cujo silêncio é norma diante de situações extremas, o maior jogador de basquete da história abriu o cofre por uma causa das mais nobres. Michael Jordan manifestou dor e revolta pelo acontecido com George Floyd e anunciou uma doação de 100 milhões de dólares (R$ 498 milhões) a instituições dedicadas a enfrentar o racismo e a discriminação.
A decisão causou surpresa pelo conhecido distanciamento do astro em relação ao debate de questões raciais e a atos de engajamento político. No auge da triunfante carreira – conquistou seis títulos da NBA com o Chicago Bulls –, Jordan era frequentemente cobrado pelo alheamento em relação a problemas da comunidade negra americana.
Aposentado das quadras e presidente de um conglomerado de empresas, Jordan continua mais ídolo que nunca. Concedeu um auxílio que vai contribuir ao longo dos próximos 10 anos com iniciativas e estudos que garantam igualdade racial, justiça social e acesso à educação.
A nota, direta e firme, bem ao estilo do astro, revela sua determinação diante da chaga do racismo na sociedade americana:
“Vidas negras importam. Esta não é uma afirmação controversa. Até que o racismo arraigado que permite o fracasso das instituições de nosso país seja completamente erradicado, permaneceremos comprometidos em proteger e melhorar a vida dos negros”.
George Floyd morreu no dia 25 de maio após ser dominado e asfixiado por um policial branco em Minneapolis. A agressão foi filmada e causou comoção mundial. O ex-segurança era acusado de pagar conta em uma mercearia com nota falsa de 20 dólares.
Só para efeito comparativo, é como se Neymar, um dos mais bem pagos jogadores de futebol do mundo, doasse meio bilhão de reais para contribuir com os esforços contra o racismo no Brasil. Óbvio que a hipótese é quase inimaginável ante o comportamento habitual do craque do PSG, que só se manifestou sobre Floyd diante da cobrança de seguidores na internet.
Michael Jordan, que tem o nome na história do basquete, acaba de acertar uma cesta preciosa na luta por um mundo mais justo e menos desigual. Craques realmente grandes se notabilizam pela generosidade e empatia.
O certeiro e necessário posicionamento da musa Isabel
No Brasil, o espanto vem em outra embalagem, completamente oposta ao gesto de Jordan nos EUA. Duas estrelas do vôlei protagonizam episódio que reflete o grau de ignorância e falta de consciência diante do racismo. Isabel, musa da primeira grande seleção de vôlei, sentiu-se incomodada com declarações de cunho racista proferidas por Ana Paula, também destacada atleta olímpica, hoje casada com um norte-americano.
A carta aberta de Isabel é, desde já, um marco no posicionamento que atletas brasileiros de grande popularidade deveriam ter. Dirigindo-se a Ana Paula, ela escreveu: “Você posta constantemente frases e ideias que destilam muito preconceito. Mas o seu último post foi a gota d’água e me chocou e revoltou pela profunda ignorância e irresponsabilidade. Sua falta de conhecimento a respeito do racismo e do que ele significa são atrozes”.
Acrescenta que “felizmente, o racismo não só empobrece o ser humano, mas também produz cada vez mais força e resistência. E é isso que está acontecendo nesse momento nos EUA, quando milhões de pessoas de todos os grupos étnicos se unem para demonstrar o seu repúdio ao racismo que ainda atinge sobretudo os negros. Observe atentamente a sua volta e verá que, no momento atual, a sociedade americana parece estar no caminho de mais uma mudança e mais uma conquista no rumo da igualdade. Peço que considere a responsabilidade de ser uma pessoa com milhares de seguidores também no Brasil. Preste mais atenção ao que diz, antes de postar sobre um tema tão sério”.
Por fim, dá um conselho precioso: “Leia os historiadores, sociólogos, antropólogos, cientistas de várias áreas que discutem as formas e as consequências do racismo ou, pelo menos, demonstre um pouco de consciência diante do negacionismo e das barbaridades que estão acontecendo no Brasil. São tantas que se torna difícil destacar apenas uma. Se não consegue ter empatia diante da dor alheia, melhor ficar em silêncio. Usando as redes como tem usado, você presta um desserviço no processo de combate ao racismo. Vidas negras importam!”
Artilheiro veterano promete renascimento no Baenão
Depois de disputar o Campeonato Paulista da Série A2 pelo São Bernardo, o veterano centroavante Zé Carlos (foto) prepara-se para defender o Remo e tentar renascer na carreira, após três temporadas de pouquíssimos gols e muitas contusões. Aos 37 anos, ele falou pela primeira sobre o acordo com o Leão dando a entender que já tem pré-compromisso firmado com o clube. Quando a quarentena terminar, ele desembarca no Baenão para cumprir contrato que vai até o final da Série C.
O fato de conhecer o técnico Mazola Junior, com quem trabalhou no Criciúma (SC) e CRB (AL), facilitou o acerto. Sob desconfiança de boa parte da torcida, Zé Carlos garante que vem disposto a fazer história no clube. Mais ou menos como falou Neto Baiano, seu reserva no CRB, ao iniciar passagem discretíssima pelo Remo em 2019. A conferir.
Galera do Fogão protesta contra não exibição da final de 95
A reprise de jogos marcantes toma conta da grade dominical das emissoras de TV e acaba movimentando as torcidas em tempos de pandemia. No caso da galera botafoguense no Pará, a revolta deu o tom neste domingo, quando a emissora local deixou de transmitir o confronto Santos x Botafogo pela decisão do Campeonato Brasileiro de 1995.
A opção pelo jogo do Peixe sobre o Peñarol (Libertadores 2011), mostrado para a praça de São Paulo, irritou quem torce pelo Fogão, visto que a emissora anunciou durante toda a semana a reprise da final de 1995. O protesto, manifestado na internet, será encaminhado à emissora-mãe.
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