O futebol costuma produzir personagens que ultrapassam os limites das quatro linhas e permanecem vivos na memória coletiva por muitos anos. Em meio às histórias que marcaram a Copa do Mundo de 2010, uma imagem registrada nas arquibancadas da África do Sul transformou uma torcedora paraguaia em celebridade internacional. Dezesseis anos depois, a mesma mulher retorna ao principal palco do futebol mundial em uma função completamente diferente.
Aos 41 anos, Larissa Riquelme se prepara para atuar na cobertura da Copa do Mundo de 2026 como jornalista credenciada. Conhecida mundialmente após aparecer durante o Mundial de 2010 com um celular acomodado entre os seios, a paraguaia afirma que utilizou a projeção conquistada naquele período como ponto de partida para construir uma carreira sólida na área da comunicação.
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DA ARQUIBANCADA PARA OS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO
Em entrevista à revista Quem, Larissa relembrou o impacto que a repercussão mundial teve em sua vida. Segundo ela, a exposição foi muito maior do que poderia imaginar quando apareceu torcendo pela seleção paraguaia nas arquibancadas. "O que começou como o sonho de uma paraguaia torcendo pelo seu time acabou se tornando um fenômeno global. Da noite para o dia, minha imagem viajou o mundo e abriu portas que eu jamais imaginei", afirmou.
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A apresentadora destacou que o episódio não trouxe apenas fama, mas também uma nova visão sobre seu futuro. "Além da fama, o que realmente mudou foi minha perspectiva de vida. Entendi que os sonhos podem te levar muito mais longe do que você imagina quando acompanhados de trabalho árduo, perseverança e fé", acrescentou.
O PESO DA FAMA INTERNACIONAL

Larissa contou que ficou surpresa com a dimensão da repercussão alcançada após a Copa de 2010. Ela revelou que passou a ser procurada por veículos de comunicação de diversos países, o que mudou completamente sua rotina. "Passei de ter uma vida normal a me tornar notícia internacional. A parte mais difícil foi aprender a conviver com a exposição, as críticas e as expectativas de milhões de pessoas", ressaltou.
Questionada sobre possíveis contatos ou investidas de jogadores de futebol ao longo dos anos, a paraguaia preferiu não entrar em detalhes e reforçou que sempre buscou preservar sua intimidade. "Sempre preferi manter minha vida pessoal privada. As pessoas são curiosas, mas hoje gosto que elas também se interessem pela minha carreira, minha evolução e tudo o que construí ao longo desses anos."
FORMAÇÃO ACADÊMICA E REINVENÇÃO PROFISSIONAL

Nos anos seguintes à fama conquistada durante o Mundial, Larissa decidiu investir em qualificação profissional. Ela concluiu a graduação em jornalismo, realizou cursos de especialização no Paraguai e na Argentina nas áreas de comunicação, mídia e marketing e também está finalizando o curso de Ciências da Comunicação. Ao longo desse período, acumulou experiências em diferentes meios, atuando na televisão, no rádio e nas plataformas digitais como comentarista e apresentadora.
Segundo ela, a notoriedade internacional abriu oportunidades importantes, mas também trouxe o desafio de provar que era muito mais do que a imagem que a tornou famosa. "Seria injusto negar que essa exposição me abriu portas importantes internacionalmente. Mas também houve momentos em que algumas pessoas só viam a imagem e não viam a mulher trabalhadora por trás dela", ponderou.
A jornalista explicou que sempre teve o objetivo de ampliar sua atuação profissional. "Entendi que meu maior desafio era provar que eu podia construir uma carreira muito mais ampla. Eu não queria que minha história se limitasse a uma única fotografia ou a um momento específico. Queria mostrar que eu podia crescer e me reinventar", revelou.
"A BELEZA NÃO SUSTENTA UMA CARREIRA"

Larissa também refletiu sobre o rótulo de musa, frequentemente associado à sua imagem desde a Copa de 2010. Embora demonstre gratidão pelo reconhecimento recebido naquela época, ela acredita que durante muitos anos houve uma valorização excessiva da aparência física em detrimento das conquistas profissionais. "Costumo dizer que uma fotografia pode abrir portas, mas não sustenta uma carreira por mais de quinze anos. O que realmente mantém uma pessoa relevante é a disciplina, o conhecimento e a capacidade de adaptação às mudanças", definiu.
Ela ainda comentou a forma como muitas mulheres foram retratadas ao longo dos anos em eventos esportivos. "Muitas de nós fomos chamadas de 'musas'. Embora eu respeite esse termo por fazer parte de uma fase importante da minha história, também acredito que, durante anos, se falou mais sobre nossa aparência do que sobre nossas conquistas", criticou.
Apesar disso, Larissa afirma não renegar seu passado. "Não nego meu passado e sou profundamente grata por tudo o que vivi. Mas minha história não terminou ali", frisou.
O RETORNO À COPA EM UM NOVO PAPEL
Ao ser questionada sobre o que mais a orgulha em sua caminhada pública, a paraguaia foi enfática ao destacar tudo o que construiu após a fama repentina. "Do que mais me orgulho não é de ter me tornado um fenômeno global, mas de tudo o que construí depois", disse Larissa, voltando a enfatizar que a aparência pode abrir oportunidades, mas que a permanência no mercado depende de outros fatores. "A beleza pode abrir portas, mas não sustenta uma carreira por mais de uma década. Talvez a maior prova disso seja a minha própria história", .
Por fim, Larissa resumiu a transformação vivida entre as Copas de 2010 e 2026. "Em 2010, o mundo viu uma jovem paraguaia torcendo apaixonadamente pela sua seleção nacional nas arquibancadas. Em 2026, essa mesma mulher retornará a uma Copa do Mundo como jornalista credenciada. Para mim, essa é a verdadeira vitória."
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