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CRISE SE AGRAVA

Uefa desafia Fifa e ameaça retirar seleções de torneios internacionais

Entidade europeia rejeita proposta de Gianni Infantino para abrir direitos comerciais a investidores privados e afirma que seleções não disputarão torneios

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Imagem ilustrativa da notícia Uefa desafia Fifa e ameaça retirar seleções de torneios internacionais camera O posicionamento é uma resposta direta ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, que estabeleceu um prazo de 53 dias para que as 211 associações nacionais aprovem o novo modelo de gestão | Divulgação

A crise institucional entre Uefa e Fifa ganhou um novo e decisivo capítulo. Nesta quinta-feira (30), a entidade que representa o futebol europeu anunciou que nenhuma de suas 55 federações participará de competições organizadas pela Fifa enquanto estiver em discussão o plano de criação de uma empresa para administrar os direitos comerciais e operacionais das competições da entidade máxima do futebol, incluindo a Copa do Mundo.

Em comunicado oficial, a Uefa classificou a proposta como uma ameaça ao futuro do esporte. "Nenhuma seleção da Uefa vai participar de competições da Fifa enquanto estas propostas estiverem vivas, a não ser que ela seja inteiramente abandonada e haja garantias de que a Fifa nunca mais abrirá sua governança ou suas competições à propriedade privada", declarou a entidade.

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O posicionamento é uma resposta direta ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, que estabeleceu um prazo de 53 dias para que as 211 associações nacionais aprovem o novo modelo de gestão. Em carta enviada às federações, a Fifa informou que os membros que rejeitarem a proposta poderão perder até 75% do financiamento previsto no novo sistema.

Caso o impasse permaneça, o primeiro torneio afetado poderá ser o Mundial Feminino Sub-20, marcado para começar em 5 de setembro, na Polônia. Na sequência, os playoffs das Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina, previstos para outubro, também correm risco de sofrer impacto com a ausência das seleções europeias.

Crise se agrava

Na nota, a Uefa afirma que o futebol não pode ser tratado como um ativo financeiro e critica a condução da proposta por parte da Fifa. Segundo a entidade, um projeto dessa magnitude foi elaborado sem consulta às federações nacionais, ligas, clubes e demais agentes do esporte.

Para os dirigentes europeus, permitir a entrada de investidores privados na gestão das principais competições internacionais representaria uma mudança estrutural no futebol mundial, fazendo com que decisões sobre calendário, formatos de torneios e desenvolvimento da modalidade passassem a atender interesses comerciais em vez das necessidades esportivas.

Ultimato contra Infantino

A entidade também classificou como "coerção" o prazo imposto pela Fifa para aprovação da proposta e afirmou que as associações nacionais foram colocadas diante de um ultimato. "As federações nacionais de todo o mundo enfrentam agora um ultimato: aceitar a captura irreversível das maiores competições de futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma decisão democrática, mas uma governança pela intimidação", destacou o comunicado.

Ao encerrar a nota, a Uefa reforçou que considera a Copa do Mundo um patrimônio do futebol e prometeu manter oposição firme ao projeto. "Há momentos em que as instituições são julgadas não pelo que estão dispostas a aceitar, mas pelo que se recusam a ceder. Algumas coisas são simplesmente importantes demais para serem vendidas. A Copa do Mundo pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, ela jamais estará à venda."

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