Há tempos Tite estudava o Al Ahly e apontava Aboutrika como principal jogador da equipe. Ele não errou seus prognósticos. Como previa, o time egípcio venceu neste domingo o Hiroshima Sanfrecce, por 2 a 1, avançou à semifinal do Mundial e será o adversário do Corinthians na quarta-feira.
O ator do gol decisivo: Aboutrika, veterano de 34 anos, um “armador inteligente, que coloca a bola no chão e organiza o time”, nas palavras do próprio Tite, que acompanhou o jogo em Toyota ao lado de alguns jogadores e debaixo de neve.
O treinador comprovou de perto que o Al Ahly é um time experiente e alertou: “É um time de imposição física, de jogadores fortes, qualidade técnica individual, de passe e antecipação. É um time experiente, a bola não queima no pé”. Para completar, é uma equipe que, na opinião do comandante, tem uma linha de quatro defensores bem postada, apesar de ter cometido alguns erros neste domingo - mesmo tendo feito um gol, o japonês Sato teve outras duas chances claras, mas desperdiçou.
“A equipe deles tem um nível alto de concentração para jogar uma competição desse tamanho”, analisa Tite. “A vitória deles foi pela efetividade, não por desempenho.”
É por isso que o técnico espera na quarta-feira um jogo de xadrez, de paciência, no qual terá de movimentar as peças cautelosamente. Se o adversário de quarta-feira fosse o Hiroshima Sanfrecce, a avaliação de Tite é que a partida seria mais movimentada, já que o veloz campeão japonês iria se expor mais.
Além da cadência do jogo do Al Ahly, o peso da estreia também preocupa Tite. Ele, inclusive, acha que somente depois de dez minutos é que a equipe vai começar a encaixar o seu jogo. “Quero que o Corinthians tenha uma naturalidade maior, mesmo com toda essa expectativa, essa ansiedade que gira em torno da estreia.”
A ordem, então, é não dar espaço para o adversário tocar a bola, coisa que o Al Ahly mostrou que sabe fazer, apesar da fragilidade do Hiroshima Sanfrecce. “Queremos manter essa característica de marcar forte em diferentes setores. Vamos ter de ajustar essa pressão com qualidade”, explicou o treinador.
Presente ao Toyota Stadium, apesar do frio severo em uma noite no Japão que contou até com queda de neve, o treinador corintiano também fez uma análise da partida deste domingo e classificou como justa a classificação do time egípcio. “Foi um jogo equilibrado, momento distintos de domínio. O Al Ahly iniciou melhor nos dois tempos, transformou em gol a superioridade. O Hiroshima não traduziu, apesar de ter tido mais posse e triangulações.”
POSSÍVEL FINAL
Apesar de ter a semifinal pela frente, Tite não conseguiu fugir das perguntas sobre uma possível final com o Chelsea, que enfrenta o Monterrey na outra semifinal. Mesmo exaltando o adversário, o treinador admitiu que o Corinthians tem mais chance de título este ano do que, por exemplo, o Santos tinha diante do Barcelona em 2011.
“Tem que encarar a realidade. Tento não ser falso humilde e nem ter soberba. Se fosse o Barça no estágio que estava contra o Santos, seria muito difícil enfrentar. Não estou diminuindo o fato de o Santos ter perdido, mas tinha de fazer jogo extraordinário, fora do normal pra bater o Barça. Agora chegamos com equilíbrio maior de forças”, avaliou.
(Diário do Pará)
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