Na Argentina, onde os problemas com violência e torcidas organizadas são ainda maiores que o Brasil, o governo determinou jogos de apenas uma torcida para a temporada passada. Os resultados, no entanto, passam longe de animar, como atestam pesquisas da ONG Salvemos El Fútbol (veja no box). Vale citar que na Argentina, desde 2004, River e Boca só se enfrentam com torcida única em competições internacionais; desde 2007, todos os clássicos passaram a ser acompanhados por uma só torcida; e os jogos decisivos da Segunda Divisão, ainda mais acirrados que os da elite, são disputados de portões fechados desde 2007. O exemplo mais lembrado para falar em eficácia na torcida única é o Inglês. Com a reforma dos estádios, identificação e restrição dos torcedores baderneiros e a política de elitização dos preços de ingresso, o fato dos rivais jogarem apenas com 5% da carga total de ingressos parece um detalhe menor no meio de tantas mudanças. E, mesmo assim, alguns clubes, que não fugiram à nova regulamentação após a tragédia de Hillsborough, eventualmente ainda enfrentam algumas incidências, como é o caso do Millwall, cujo lema da torcida é “Ninguém gosta de nós e nós não gostamos de ninguém”. Ligas com poderio econômico reduzido e casos de violência mais constantes, como a holandesa, escocesa, grega e turca, a lei da torcida única já vigora há alguns anos. Mas nada impede que tragédias ocorram. Na última semana, o clássico entre PAOK e Panhathinaikos foi interrompido porque a torcida dos donos da casa não parava de jogar pedras e outros objetos no gramado quando o adversário se aproximava para cobrar escanteio. Já na Turquia, uma provocação de Felipe Melo contra a torcida do Galatasaray fez a torcida literalmente invadir o gramado e encerrar o clássico contra o Besiktas antes do final da partida. Nos clássicos entre times de cidades diferentes (como Barcelona x Real Madrid) ou times que têm seus próprios estádios (como Manchester United x City) a discussão sobre divisão de arquibancadas não se aplica, mas para times que jogam na mesma praça, a divisão é comum. Quando Milan e Inter se enfrentam no Giuseppe Meazza/San Siro, as torcidas dividem a arquibancada ao meio e as ocorrências de incidentes são raras. A mesma situação se aplica ao clássico Roma x Lazio, no Olímpico de Roma. |
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