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José Aldo e McGregor duelam por cinturão

Quando entrar no octógono, hoje, em Las Vegas, para enfrentar Conor McGregor, José Aldo vai defender mais do que seu cinturão dos penas. Líder do ranking de todos os pesos, o campeão representa para o UFC no Brasil a imagem de sucesso fundamental para os

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Quando entrar no octógono, hoje, em Las Vegas, para enfrentar Conor McGregor, José Aldo vai defender mais do que seu cinturão dos penas. Líder do ranking de todos os pesos, o campeão representa para o UFC no Brasil a imagem de sucesso fundamental para os negócios. Desde o ocaso de Anderson Silva, é no “Campeão do Povo”, invicto há dez anos, que a marca aposta para ir além das fronteiras do MMA e fazer novos fãs no país. O apelido, nascido da identificação de Aldo com as camadas mais populares, dá a dimensão do mito que se pretende moldar e que ainda está em construção. “Ele tem história linda de vida, de sair da pobreza extrema lá na Amazônia para ser grande campeão da vida”, destaca Giovanni Decker, diretor do UFC no Brasil.

Decker, há oito meses no cargo, tem experiência de 20 anos em marketing esportivo. Sabe que a modalidade preferida do torcedor brasileiro é ganhar e admite que uma derrota de Aldo no UFC 194 seria ruim para o negócio no Brasil. “É importante (Aldo vencer). Se dissesse que não, seria hipocrisia”.

O dirigente deixa claro que não há um escolhido para assumir o bastão caso Aldo tropece. “O Plano B, a longo prazo, é desenvolver o esporte, botar mais gente para praticar. A tendência é que da quantidade venha a qualidade”, comenta.

As vitórias de Aldo (são 25, com só uma derrota, ocorrida no distante ano de 2005) e a maneira espontânea de falar o que pensa, com jeitão meio de jogador de futebol e meio de torcedor, caem como uma luva. Em 2012, ao nocautear Chad Mendes, no Rio, correu do octógono e se atirou na torcida. Quebrou protocolo, deu o recado: é gente como a gente. Candidatava-se ali a sucessor de Anderson, que ainda reinava, e legítimo herdeiro de uma geração de ouro em declínio.

“A geração de Anderson, Vitor (Belfort), Minotauro, Lyoto (Machida), (Maurício) Shogun e Wanderlei Silva, esses caras, eu sempre brinco, era como Zico, Sócrates, Falcão. Não precisava ser trabalhada para o fã. Eles entregavam muito, dentro e fora do octógono”, compara Decker, que emenda: “O UFC ficou um tempo sem trabalhar os que estavam vindo. Mesmo o Aldo ficou sem ser trabalhado fora do octógono. E o Brasil no MMA é que nem no futebol: sai uma geração e entra outra tão boa quanto, só que agora a gente tem que trabalhar (o marketing)”, explica.

Decker lembra que o Brasil tem dois outros campeões (Rafael dos Anjos, que colocará o cinturão dos leves em jogo dia 19, e Fabrício Werdun, dos pesados ) e “caras competitivos” em todas as categorias (são dez, incluindo as duas femininas).

“O UFC não vai desaparecer no Brasil se o Aldo perder. O faturamento cresceu 20% em 2015, e os dois últimos eventos no país estavam lotados”, argumenta Decker, antes de dar o aviso: “É bom que se diga, o Aldo não vai perder do McGregor”. E o lutador concorda. Disse que o rival não vai ter para onde correr no octógono: “Se a luta ficar em pé, vou nocautear. Se ele for para o chão, vou finalizar. Essa será a noite perfeita, eu vou ganhar!”, prometeu.

(Diário do Pará, com Agência O Globo)

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