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É assim que se entra na história!

OGrêmio que me desculpe, mas a decisão do Mundial de Clubes já aconteceu, sendo antecipada para a semifinal de ontem, entre Real Madrid e Al Jazira. E a vitória madrileña pode até ter sido computada nos dados oficiais, mas quem, em sã consciência, não há

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OGrêmio que me desculpe, mas a decisão do Mundial de Clubes já aconteceu, sendo antecipada para a semifinal de ontem, entre Real Madrid e Al Jazira. E a vitória madrileña pode até ter sido computada nos dados oficiais, mas quem, em sã consciência, não há de proclamar o time dos Emirados Árabes como o grande campeão deste torneio? Com o aval de Chico Buarque, “danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas, os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos, profetas, sinopses, espelhos e conselhos. Se dane o evangelho e todos os orixás”.

O futebol pode até ter sido invadido pela lógica financeira, obedecendo ao mercado e ao marketing, mas ainda é regido, sim, pela emoção, pelo componente humano, e essas características, quando mostram sua força, têm o poder de imortalizar jogadores e times que a elas façam justiça.

Diante dessa entrega e superação, Cristiano Ronaldo, Bale, Benzema e todos os estrelados do Real Madrid empalideceram. Quem são eles em comparação a Ali Khaseif e Romarinho? O embate entre eles será lembrado por muitos e muitos anos, e, podem ter certeza, o que menos veremos serão os vídeos dos gols espanhóis, mas as defesas milagrosas de Khaseif - sim, corpo fechado existe, tivemos a prova - e os contra-ataques mortais puxados pelos homens de linha. A única concessão possível para imagens perenes do outro lado, é a expressão atônita, de desespero, dos comandados de Zidane.

São jogos assim que fazem a fé no futebol ser renovada. Essa possibilidade especial de um resultado surpreendente, um jogo em que o melhor nem sempre ganha. Ou, como foi o caso do Real Madrid (de acordo com o que todos os jornais e sites estampam, mas que eu, pela lei de Nelson Rodrigues, não concordo: “Às favas com os fatos”), até vence, mas corta um dobrado para chegar lá, precisa correr riscos, ser desafiado constantemente e mostrar um desempenho que realmente lhe permita ser merecedor da vitória.

Sou um romântico, sim, admito. Gosto da paixão que o futebol desperta, da “bagunça” que ele provoca na mente e no coração dos torcedores, das polêmicas, dos jogos inesquecíveis... A rotina organizada de um campeonato longo, que premia a regularidade, pode fazer bem à saúde financeira dos clubes, aos contratos de patrocinadores, entre outros fatores alheios à emoção, mas distancia-se da verdadeira razão de ser do esporte.

Quem sabe no sábado, quando Grêmio e Real Madrid entrarem em campo, eles calem a minha boca e façam, de fato, uma partida digna da decisão do Mundial de Clubes? É possível, claro. E tomara que consigam. Quanto mais jogos como o de ontem acontecerem, melhor para o futebol. Mas o Al Jazira já entrou para a história. É um pequeno gigante e merece o título de campeão moral.

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