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Aposentada supera problema cardíaco e chega à sua 2ª São Silvestre

Correndo há quatro anos, Sonia Lopes não sente o peso da idade e se diz cada vez mais disposta (Foto: Arquivo Pessoal) Aos 70 anos, a professora aposentada Sonia Lopes acorda cedo para treinar, às 7h, sob orientação de uma assessoria esportiva, em Barbace

Correndo há quatro anos, Sonia Lopes não sente o peso da idade e se diz cada vez mais disposta (Foto: Arquivo Pessoal)

Aos 70 anos, a professora aposentada Sonia Lopes acorda cedo para treinar, às 7h, sob orientação de uma assessoria esportiva, em Barbacena, no interior de Minas Gerais. A rotina se repete três vezes por semana. Embora ela aproveite outros dois dias para fortalecer a musculatura em uma academia, sua grande paixão é mesmo a corrida. Nem mesmo o fato de ter chegado à terceira idade a afasta daquilo que hoje é o principal motivo para programar o despertador para tocar quando o sol ainda está nascendo: se preparar para provas importantes do calendário nacional, entre elas a Corrida Internacional de São Silvestre.

Sonia começou a correr com 67 anos, logo após encerrar a sua carreira como professora de educação infantil. Por conta do seu alto colesterol à época, sua filha Jacqueline, que já costumava a correr, recomendou que entrasse para o “mundo dos esportes”. Sem jamais ter praticado qualquer atividade física com frequência antes, a barbacenense logo tomou gosto pela corrida e resolveu, inclusive, se inscrever para a São Silvestre alguns meses depois. Agora, em 2017, ela se prepara para a segunda participação.

“Foi uma experiência incrível, fiquei encantada com tudo. Ano passado não pude ir por conta de compromissos. Este ano fiz uma troca. Ia para a Volta da Pampulha, mas optei pela São Silvestre. Como tive um casamento, não deu para competir na Pampulha. Estou super ansiosa, acho linda a corrida de São Silvestre. Vou só para me divertir, porque em termos de tempo não dá para eu me apegar”, disse Sonia à Gazeta Esportiva.

O início tardio na corrida tornou a professora aposentada em inspiração para os mais novos. Apesar da idade, ela não se dá por satisfeita se não contagia quem está por perto. Os mais de 50 minutos para completar 5km na primeira experiência como corredora transformou a vida de Sonia, que somente neste ano já participou de 42 provas. Nem mesmo as duas notícias que mexeram com a família em 2017 a fez parar de se movimentar.

“Esse ano tivemos dois baques: eu tive uma isquemia [diminuição ou suspensão de irrigação sanguínea] e, há dois meses, minha filha foi atropelada aqui em Barbacena, durante uma corrida. Ela fraturou o cóccix, mas vai para a São Silvestre, disse que vai completar os 15km. Quando a prova é de longa distância, ela sempre me acompanha. Nas menores eu vou sozinha. Por exemplo, na Meia Maratona do Rio ela me acompanhou”, prosseguiu.

Para a 93ª edição da São Silvestre, Sonia e sua filha Jacqueline, apesar dos problemas de saúde, largarão ainda mais motivadas para provarem a todos o grande poder do esporte. Com check-up feito e certa de que o coração está pronto para mais uma largada, a professora aposentada faz parte de um grupo de oito pessoas que chegará a São Paulo neste fim de semana para disputar a prova. Nem mesmo o receio dos familiares a desanima.

“Meus parentes dizem que eu sou doida: ‘Uma pessoa com 70 anos não pode estar dentro dessas coisas’. Respondo a eles que é om 70 anos que quero me esforçar e superar os meus limites. Tudo é superação, ficar parado não dá. O esporte é vida, e eu quero viver mais. O meu objetivo é incentivar pessoas que não gostam de fazer nada. Tem várias pessoas que dizem que sou inspiração, porque levo todo mundo comigo. Aqui na minha cidade, quando começamos a correr, não havia mulheres. Se havia, eram três, no máximo. Agora, tem muitas. Ficamos muito felizes com isso”, concluiu.

Fonte: Gazeta Esportiva

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