“Booora, Leão”. Era inevitável ouvir esse grito ao andar pelas redondezas do Estádio Evandro Almeida. A travessa Antônio Baena, a Av. Almirante Barroso, 25 de setembro e a travessa das Mercês, na noite de ontem, foram invadidas por um mar de 12 mil pessoas que estavam com saudade de vibrar com o Clube do Remo. O adversário era o Santa Cruz de Cuiarana, campeão da primeira fase, e um dos times mais temidos pela torcida. Mas nada que tirasse a empolgação, iniciada antes mesmo de a bola rolar. Um show de fogos azuis que explodiram na entrada do time em campo. Mas o show mesmo aconteceu quando o atacante Val Barreto resolveu chutar de fora da área, aos 23 minutos. De maneira formidável, a bola só parou no fundo do barbante. O golaço foi suficiente para o Leão começar o Campeonato Paraense com pé direto: 1 a 0. Placar mínimo para a massa azulina voltar mais feliz para casa.
Entretanto, o primeiro tempo foi tenso para o torcedor. E o incentivo virou uma faca de dois gumes: ao invés de se empolgarem com os gritos das arquibancadas, alguns jogadores, visivelmente, sentiram a pressão por uma apresentação de um futebol mais virtuoso, tanto quanto seria o gol da vitória. Para azar dos azulinos, o meia Josy, o volante Toni e o lateral-esquerdo Berg eram os mais incomodados. Com isso, o setor de criação do time ficou comprometido.
Muito melhor para o Santa Cruz. Equipe bem mais entrosada que os donos da casa, com calma, assustava pelo futebol mais organizado. Aos 21 minutos, bobeira de Josy no meio de campo e Mael aproveitou, tocou para Fininho chutar forte. A bola bateu na trave e Fabiano segurou. Foi por pouco. Depois disso, os azulinos trataram de despertar. Mesmo isolados na frente, Branco e Fábio Paulista apareciam muito bem e por pouco não deixaram o time na vantagem antes do fim dos primeiros 45 minutos.
No segundo tempo, os times voltaram sem mudanças, mas foi só quando o Leão começou a realizar mexidas que o jogo pegou fogo. Val Barreto e Edilsinho encaixaram muito bem. O Remo cresceu. Enquanto o Tigre do Salgado só assustou uma vez, o Mais Querido já havia levado perigo quatro vezes. Contudo, a quinta foi indefensável. Val Barreto deixou o Baenão de “boca aberta” com um chute colocado de fora da área. O atacante Fábio Paulista ainda teve três chances de aumentar o placar. Porém, depois daquele golaço dos 23 minutos, já estava bom. A vitória já era dos que gritavam “Booora, Leão”.
(Diário do Pará)
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