Desde o último final de semana, com o Paysandu dando total ênfase na recuperação judicial, conforme informação divulgada com exclusividade pelo DOL, o clube está em “stay period” — mecanismo que suspende por 180 dias todas as ações e execuções de dívidas contra o clube. Durante esse prazo, a diretoria terá até 60 dias para apresentar um plano detalhado de pagamento aos credores. E conforme documento obtido pela reportagem, o ex-presidente Roger Aguilera aparece na lista de credores, com valor estimado em R$ 12.371 milhões, oriundo de empréstimos e mútuos realizados durante sua gestão.
Na tarde desta segunda-feira (23), ao ser entrevistado dentro do programa Cartaz Esportivo, da Rádio Clube do Pará, Aguilera afirmou ter sido surpreendido pela repercussão do caso e negou que esteja cobrando valores do clube. “Fui pego de surpresa, pois estava viajando e cheguei com muitas mensagens sobre a dívida de R$ 12 milhões que eu estou querendo cobrar do clube. Na verdade, é um equívoco. Meu advogado entrou com um pedido formal no Paysandu para organizar tudo, pois são coisas distintas", iniciou Aguilera.
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Segundo o ex-dirigente, os valores doados por ele e sua família ao Paysandu não serão cobrados. "O que eu doei para o clube, eu doei 100% para o clube. Todo o dinheiro que eu e minha família sempre doamos isso é do clube. O dinheiro da dívida que tem o Paysandu não é do Roger, pois o Paysandu tem o estatuto e qualquer dívida que você tem de fora, tem passar pelo conselho deliberativo e não de terceiros para o clube, tem que passar pelo conselho. A dívida passadas que o clube tem, sempre fica no nome do presidente. Então como eu era o último presidente, ficou que acabou sendo colocado todas as dívidas do clube no nome do presidente, mas não é do presidente a dívida", disse.
Ainda assim, o ex-mandatário reforçou que não pretende executar qualquer cobrança. "Se eu for falar do histórico eu não sei te falar, mas se for só do ano passado foi um valor bem significante. Claro que o torcedor é passional, mas quando você pega o operacional o futebol é muito mais complexo. Não adianta você falar de futebol de 20 ou 10 anos atrás, que as coisas multiplicaram. Futebol é uma empresa. É uma engrenagem diferente de tocar. Antes deu assumir, o Paysandu estava um caos com jogador querendo sair e eu não conseguia contratar, pois estava tudo em uma indefinição. A gente não tinha dinheiro. E ali era pra ter feito uma recuperação judicial, acabou que a gente não fez", revelou.
Mandato e renúncia de Roger Aguilera
Eleito no fim de 2024 para o biênio 2025/2026, Aguilera renunciou ao cargo no final do ano passado. Durante sua gestão, o clube enfrentou atrasos salariais, processos trabalhistas milionários e o rebaixamento à Série C do Campeonato Brasileiro. "O futebol é muito caro. Com as Ligas no futebol, elas colocaram muito dinheiro e ai o que foi feito: ao invés dos clubes pagarem R$ 30 mil, eles estavam pagando R$ 80 mil. E virou "bola de neve". Ao invés de você pagar suas contas mensais, todo mundo contratou jogador caro, pra ser compatível no mercado e fazer uma forma de pagar. Resultou que não conseguiram pagar o passado, não pagar o salário dos jogadores, e aí engata tudo. E isso aí, na hora que vai fechar o ano, deu negativo. Em 2024 também deu negativo, e aí vai acumulando dívidas", declarou.
O ex-presidente citou ainda o debate sobre Fair Play Financeiro, defendido por dirigentes como Ricardo Gluck Paul, atual presidente da Federação Paraense de Futebol e vice-presidente da CBF, como exemplo da necessidade de maior controle orçamentário no futebol. A pauta do Fayr Play Financeiro você já ver até a CBF falando, até o Ricardo Gluck Paul (presidente da FPF e vice-presidente da CBF), pois você acaba acumulando contratos que você fez em um ano anterior, que ficam incompatíveis para a competição que você acabou sendo rebaixado. O futebol ficou muito caro. E para o torcedor em um time grande, como é o Paysandu, como é que você vai justificar? Ano passado eu tinha uma folha de R$ 1,5 milhão. Mesmo com a arrecadação que tinha, para poder pagar todas as dívidas, a gente ainda conseguiu colocar uma folha maior, mas ficou incompatível ao clube. Sempre dá uma diferença", disse.
Aguilera garantiu que continuará apoiando o Paysandu
Com a recuperação judicial em andamento, o Paysandu terá o desafio de reorganizar as finanças e negociar com credores para garantir estabilidade administrativa. Aguilera, por sua vez, garantiu que continuará apoiando o clube. "A dívida que tem o clube, ficou na rubrica do presidente, ficando como que se toda dívida minha, cobrando do Paysandu, que na verdade não é. E esse ajuste que vão fazer para dar entrada na Recuperação Judicial. Quem doa não gosta de falar. Eu tenho um histórico de acessos, conquistas, mas infelizmente no meu mandato não deu certo, mas vou continuar ajudando como sempre ajudei o clube. Hoje a rede social propaga muito rápido, para o bem e para o mal, então temos que prestar esses esclarecimentos. Diferente de muitos que colocaram e depois cobraram na justiça, e são muitos que fizeram isso, mas no nosso não. O que a gente fez foi por amor, então a história do Paysandu com a minha não é de agora e não iria fazer uma barbaridade dessas", finalizou.
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