A sequência de atuações abaixo do esperado e a derrota por 3 a 1 para o Santa Cruz, dentro da Curuzu, fizeram o Paysandu ligar o sinal de alerta mesmo ocupando a terceira colocação da Série C do Campeonato Brasileiro.
Nos bastidores, a preocupação vai além do desempenho em campo. A diretoria pretende endurecer o tratamento em relação a episódios de indisciplina envolvendo atletas do elenco.
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Em entrevista ao programa Resenha Bicolor, da Rádio Clube do Pará, com o jornalista Dynho Menezes, o vice-presidente do clube, Ícaro Sereni, confirmou que o Lobo estuda punições com a intenção de impedir que situações extracampo prejudiquem o ambiente do grupo.
"O Paysandu precisa puxar a orelha de quem for necessário e, se for o caso, dispensar jogadores para não contaminar o grupo. Não podemos permitir que o elenco entenda que tudo é permitido. Essas mudanças podem ir desde multa até afastamento. Não adianta manter segredo, porque as informações chegam até a diretoria. As fotos vazam, chegam ao vice-presidente, ao diretor de futebol, ao presidente. Então precisamos agir", destacou.
A reportagem do DOL procurou o presidente Márcio Tuma, que preferiu não comentar o assunto. "Assunto interno, prefiro não comentar", respondeu o dirigente ao ser questionado sobre a situação.

Sem citar nomes, Sereni afirmou que alguns atletas precisam compreender a responsabilidade de defender um clube do tamanho do Paysandu, especialmente após um primeiro semestre considerado positivo, com os títulos da Copa Verde, Campeonato Paraense e Copa Norte.
"O jogador precisa entender que a empresa dele é o próprio corpo. É a ferramenta de trabalho. Não pode colocar uma gasolina batizada na máquina. A carreira é curta e quem está em um clube como o Paysandu precisa ter consciência da responsabilidade que carrega", pontuou.
O dirigente também ressaltou que o clube oferece estrutura, salários em dia e condições de trabalho que exigem comprometimento por parte do elenco e é o que a diretoria precisa cobrar
"O Paysandu paga salários em dia, paga antecipado, oferece estrutura e condições de trabalho. O que a diretoria cobra é profissionalismo. É isso que a torcida também exige da gente", exclamou.
Durante a entrevista, Ícaro foi ainda mais enfático ao defender punições para evitar que comportamentos considerados inadequados se espalhem pelo grupo. O vice-presidente criticou hábitos fora das quatro linhas, especialmente relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas.
"Parece que jogador de futebol precisa beber para comemorar, e eu não concordo. O corpo é o patrimônio dele. Se ele estraga isso, prejudica a própria carreira e o clube", disse.

Em outro momento, reforçou que o período de advertências precisa ter um limite. Em maio, o clube precisou afastar o zagueiro Castro por um jogj após episódios de indisciplinas.
"A gente tem que parar de ser babá de jogador. Os atletas ganham bem, trabalham em um clube estruturado e precisam entender a responsabilidade que têm. Se o clube atrasa salário, ninguém vem conversar com jeitinho. Então também precisamos cobrar profissionalismo. Não dá para alertar uma, duas, três vezes e continuar fingindo que nada aconteceu", pontuou.
A cobrança acontece em um momento delicado da temporada. Apesar de seguir no G-8, o Paysandu viu a vantagem para os concorrentes diminuir nas últimas rodadas e tenta recuperar a regularidade antes do confronto contra o Ypiranga-RS, no próximo domingo (5), fora de casa.
Internamente, a avaliação é de que preservar a disciplina do elenco será tão importante quanto corrigir os problemas técnicos apresentados nas últimas partidas.

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